quinta-feira, 11 de agosto de 2022

 

A pedagogia de Paulo Freire

Então meu vínculo na Cidade de Deus, nesse sentido, foi de fazer valer uma norma, uma norma não, um ponto da metodologia do Paulo Freire, né, o ser mais no outro, sabe? Sempre reconhecer que o outro é capaz. Sempre, sempre, sempre. O outro é capaz, ele tem que assumir, se ele errar ele vai aprender com isso. Faz parte. O outro tem que assumir a responsabilidade, o direito da fala, da palavra. Pra não ser assim muito injusta comigo mesma, uma coisa que eu levei forte no meu processo na Cidade de Deus foi ter passado pelo processo de aprendizado do Paulo Freire, porque eu fui alfabetizadora na adolescência usando o método do Paulo Freire. E pra ser alfabetizadora eu fui alfabetizada politicamente, né, então, porque era na igreja, passamos pelo processo do método entre nós, e o despertar veio daí.

Eu carrego essa marca pra vida, e levei isso com muita força na Cidade de Deus, muita força. Eu garanto que as coisas sejam decididas coletivamente, que as pessoas que acham que não sabem possam falar o que elas sabem, né, juntar a academia com a comunidade. Garantir que tenham espaços iguais para poder fazer um novo conhecimento, eu acho que essa foi uma contribuição que eu levei. No mais, viver a liberdade. Sabia que eu não tenho medo de andar na Cidade de Deus? Eu não tenho medo de andar nas favelas? A não ser que tenha tiroteio, que eu não sou boba. Não tenho medo porque eu sei a trama de resistência, de força, de vigor, de garra das pessoas, o quanto os trabalhadores têm que lutar pra viver com dignidade, o quanto a juventude sofre de discriminação, sabe, o quanto são explorados nos subempregos, nesses projetos todos que dizem que tão dando chance aos jovens, mas que estão explorando. É o mesmo capitalismo, é o mesmo capitalismo que vai atuando de acordo com a resistência [risos]. Quanto menos resistência, mais submete.

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