domingo, 21 de agosto de 2022

CINTURÃO VERDE E O ABASTECIMENTO DE COMIDA EM SÃO PAULO

 Cinturão Verde e o abastecimento de comida em São Paulo

Mogi das Cruzes integra a região do alto Tietê, área leste do imenso Cinturão Verde paulista, que ocupa 7,5% do território do estado — sendo metade disso área produtiva. Um território tão grande que é composto de dois biomas (Mata Atlântica e Cerrado), abrange 78 municípios e tem população superior a 16 milhões de pessoas.


Desde 1994, a área é reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA). O órgão das Nações Unidas voltado para a educação, a ciência e a cultura define uma reserva da biosfera como “ecossistemas terrestres, marinhos e costeiros, onde deve-se promover soluções que conciliam a conservação da biodiversidade com seu uso sustentável”.


De seus mais de 2 milhões de hectares, 40% são dominados por vegetação nativa. Cerca de 15% se caracterizam por ocupação urbana e o restante, por produção agrícola.


“É uma região fundamental para o abastecimento da cidade, para a geração de renda local, e é estratégica diante da pressão das mudanças do clima”, resume Manuela Santos, pesquisadora em sistemas alimentares e mestre em ecologia pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).


Fellipe Abreu/Agência Pública


Fellipe Abreu/Agência Pública


Fellipe Abreu/Agência Pública


Fellipe Abreu/Agência Pública


Cinturão Verde é responsável pela produção de mais de 70% das hortaliças consumidas no município de São Paulo

Todo o conjunto do Cinturão Verde é responsável pela produção de mais de 70% das hortaliças consumidas no município de São Paulo e 30% de tudo o que é produzido no estado, de acordo com o relatório “Cinturão+Verde”, da Fundação Getulio Vargas (FGV), de maio deste ano. São desenvolvidas ao menos 47 diferentes culturas, sendo as hortaliças folhosas, couves, raízes (como cenoura e beterraba) e cogumelos as principais. A alface é, de longe, a mais presente: 51% dos estabelecimentos se dedicam a seu cultivo e comercialização.


Cerca de dois terços dos estabelecimentos produtivos do Cinturão Verde são de agricultura familiar. Esse mesmo levantamento da FGV estima que sejam, ao todo, 5 mil propriedades: 85% delas têm no máximo 20 hectares, mas empregam 75% da mão de obra e são responsáveis por 60% do valor bruto de produção — um faturamento anual superior a R$ 430 milhões.


Fellipe Abreu/Agência Pública

Agricultura familiar garante a biodiversidade local, além de garantir uma fonte de renda às comunidades

Esse conjunto de mata nativa com agricultura familiar garante também um tesouro de biodiversidade e uma reserva natural para a manutenção do microclima local a temperaturas adequadas para a vida humana e para a lavoura — um investimento para o conforto térmico das mais de 25 milhões de pessoas que vivem dentro do cinturão. Áreas nativas de florestas, campos, cerrado, restinga e mangue compõem 17,5% de toda a vegetação do estado.


O Instituto Florestal lista 11 serviços ecossistêmicos garantidos pela manutenção do Cinturão Verde — ou seja, benefícios gerados pelos ecossistemas para a recuperação das condições ambientais e melhora da qualidade de vida das pessoas. Entre eles estão:


Fornecimento e purificação da água;

Controle de erosão, escorregamentos, assoreamentos e inundações;

Controle da qualidade do ar;

Absorção de carbono e redução de gases de efeito estufa;

Regulação do clima.

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