quinta-feira, 6 de agosto de 2026

 

O futuro das novas gerações está em jogo nas eleições de 2026

Os que olham para a concentração de carbono e metano na atmosfera e seus efeitos sobre a vida dos que habitam o planeta têm uma data gravada na cabeça: 2030, o marco para segurar o aumento da temperatura média na Terra abaixo de 2 graus - se possível em no máximo 1,5 grau. Acima desse limite, estabelecido pelos cientistas, o aquecimento se torna irreversível com uma série de pontos de não retorno - do degelo das calotas polares ao colapso da floresta amazônica -, colocando em risco a habitabilidade do planeta, como explicou a colega Isabel Seta, no episódio mais recente do Bom Dia, Fim do Mundo.

Essa ameaça existencial para a humanidade uniu 195 países, há pouco mais de 15 anos, no celebrado Acordo de Paris, em que todos se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes sobretudo da queima de combustíveis fósseis nos países desenvolvidos, mas também do desmatamento - principal fonte das emissões do Brasil - e de atividades industriais e agropecuárias. Uma decisão que depende de cada um dos países membros para se concretizar, já que as contribuições são voluntárias. E até agora ficou bem abaixo do esperado. 

Votado por aclamação, o consenso sofreu uma baixa importante já em 2017, com a retirada dos Estados Unidos, o país que é o maior emissor histórico do mundo, no primeiro mandato de Donald Trump. Eleito em 2024, Trump pôs mais lenha na crise planetária, não apenas a climática, mas também a da democracia, dos direitos humanos e do multilateralismo, fundamentais para a paz. Em vez de negociações e acordos, guerra, genocídio e destruição no Oriente Médio; em vez de forúns internacionais, uma agressiva política unilateral - da 

invasão da Venezuela à tentativa de interferência na justiça e política internas de outros países, caso do Brasil, como vimos mais uma vez esta semana com o novo tarifaço.

Aderir a Trump, como fazem os Bolsonaro, é renunciar à soberania, aos interesses nacionais e à democracia como mostra o paralelismo entre os eventos de 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos e 8 de janeiro de 2023 no Brasil. Também significa impulsionar o uso dos combustíveis fósseis, liberar a destruição ambiental, aprofundar as desigualdades - em um mundo que precisa reduzir o consumo enquanto a riqueza se concentra e a pobreza se aprofunda - abandonar regulamentações financeiras, as compensações sociais, a igualdade entre gêneros.

É no reflexo desse espelho enfumaçado que os Bolsonaro vêem o Brasil, com a perspectiva de trazer de volta a boiada e o pico do desmatamento, a misoginia e o racismo, minando a força da sociedade civil, a ação coletiva e o respeito pelos direitos humanos, trocando fatos por versões, cindindo a sociedade e invadindo corações e mentes através das Big Techs, que na visão dos Bolsonaro - e de Trump - devem gozar de total liberdade para nos aprisionar. Felizmente não é essa a visão do governo Lula, como vimos na construção do ECA Digital e nas tentativas de regular as redes e submetê-las à lei. Mas sabemos que isso é pouco, sem um pacto social forte, capaz de proteger nossos filhos e netos.  

Nesse verão escaldante e de incêndios florestais no hemisfério norte em que o prenúncio do El Niño já se faz sentir por aqui, com risco de tempestades no Rio Grande do Sul, também vemos adolescentes e jovens cada vez mais tristes, imersos nas telas e deprimidos por relações e estereótipos doentios nas redes sociais enquanto o mundo real se torna cada vez mais difícil, e nós, os adultos, parecemos simplesmente distraídos, imersos no cansaço das longas jornadas de trabalho por necessidade ou ambição, entretidos - também os mais velhos - com conteúdos superficiais em nossos celulares. Quem sabe apostando no tigrinho?

Quando o mandato do presidente, dos governadores, senadores e deputados que serão eleitos neste ano chegar ao fim, estaremos em 2030. Se a gente não acordar para firmar um consenso social que pressione pela democracia, liberdade e igualdade de direitos para enfrentar esse momento decisivo, controlando os excessos do poder público e privado, exigindo políticas de bem estar, proteção ambiental e respeito aos povos e culturas ancestrais estaremos compactuando com o sacrifício de gerações de jovens, adolescentes e crianças que, no futuro, talvez não tenham mais nem razões para lutar. 

Pense nisso, antes de se distrair com o espetáculo de fatos, imagens e fofocas das campanhas eleitorais - logo, logo na tela mais próxima de você. 

Aviso: esta coluna estará de férias até o dia 6 de agosto. Obrigada pela leitura. 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

 

Patrimônio de Styvenson aumenta 3.673% em oito anos

4 de agosto de 2026
3min
Patrimônio de Styvenson aumenta 3.673% em oito anos
Em 2018, o parlamentar declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 73.000,00 em bens. Neste ano, o patrimônio evoluiu para R$ 2.754.814,75 - Foto: Carlos Moura/Agência Senado
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O patrimônio do senador Styvenson Valentim (Podemos) cresceu 37 vezes desde que disputou e venceu as eleições pela primeira vez, há oito anos. Em 2018, o parlamentar declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 73.000,00 em bens. Neste ano, segundo dados apresentados no seu novo registro de candidatura, o patrimônio evoluiu para R$ 2.754.814,75, um aumento de 3.673%.

Em 2018, os bens de Styvenson eram compostos apenas por um veículo automotor terrestre (R$ 9 mil), poupança para construção ou aquisição de bem imóvel (R$ 60 mil) e um depósito bancário em conta corrente (R$ 4 mil). Agora, terreno, investimentos e até um apartamento de mais de R$ 1 milhão fazem parte do patrimônio do senador.

O bem mais caro é o do apartamento, com um valor de R$ 1.071.703,58. Uma aplicação de renda fixa de R$ 657.785,85 também se destaca, assim como um terreno em Pium (R$ 269.999,92). A declaração de bens registra ainda R$ 95 mil em dinheiro em espécie, guardados em um cofre, além de outros valores.

Styvenson também concorreu nas eleições de 2022 como candidato a governador. Na época, seu patrimônio apresentava uma evolução menor em relação a 2022, tendo registrado R$ 137.912,72.

Atualmente, o salário bruto de um senador no Brasil é de R$ 46.366,19, equivalente ao teto do funcionalismo público federal. Quando ele assumiu o cargo em 2019, o valor era de R$ 33.763,00 — um acréscimo de 37,33%.

Zenaide diminui patrimônio

Outra senadora que vai em busca de renovação do mandato, Zenaide Maia (PSD) foi no caminho contrário a Styvenson e viu seu patrimônio recuar em oito anos.

A parlamentar declarou, em 2026, um total de R$ 1.494.980,52 em bens — uma diminuição de aproximadamente 26,22% em relação a 2018, quando disse à Justiça Eleitoral ter R$ 2.026.287,67.

Atualmente, o maior patrimônio de Zenaide é um crédito decorrente de empréstimo, de R$ 450 mil. Ela também possui em seu nome uma casa em Natal que custou R$ 364 mil, uma poupança no Banco do Brasil de R$ 263.734,25, um veículo de R$ 200 mil e outro crédito advindo de empréstimo (R$ 195 mil). Outros valores menores, de depósitos em banco e poupança, fecham a declaração de bens.

Já em 2018, a senadora declarou seis bens. O mais caro era um fundo de R$ 727.746,64, seguido por um terreno em Ponta Negra (R$ 600 mil), casa no bairro de Morro Branco (R$ 364 mil), crédito decorrente de empréstimo feito ao filho (R$ 200 mil), um carrro (R$ 74 mil) e uma poupança no Banco do Brasil, de R$ 541,03.

Até a manhã desta terça-feira (4), seis candidatos a senadores já haviam sido registrados junto à Justiça Eleitoral e declarado seus patrimônios. Foram eles:

-Styvenson Valentim (Podemos): R$ 2.754.814,75

-Rafael Motta (PDT): R$ 1.781.561,08

-Zenaide Maia (PSD): R$ 1.494.980,52

-Coronel Hélio (PL): R$ 880.627,50

-Tércio Tinôco (União): R$ 515.066,11

-Samanda Alves (PT): R$ 476.720,98

segunda-feira, 20 de julho de 2026

 

Chapas da esquerda apostam em mulheres na disputa ao Governo do RN

20 de julho de 2026
5min
Chapas da esquerda apostam em mulheres na disputa ao Governo do RN
Na última sexta (17), Cadu Xavier (PT) anunciou a ex-deputada Larissa Rosado (PSB) como pré-candidata a vice; PSOL, UP e PSTU também têm mulheres nas chapas ao Executivo - Foto: Reprodução
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O anúncio da ex-deputada Larissa Rosado (PSB) como pré-candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Cadu Xavier (PT) encerrou uma indefinição no grupo governista. A escolha também consolida a presença de uma mulher na chapa para o Executivo junto ao PT e fecha um dos três principais palanques no Rio Grande do Norte — nas chapas de Allyson Bezerra (União) e Álvaro Dias (PL), apenas homens ocupam a cabeça de chapa e a cadeira de vice. No RN, as mulheres também estão garantidas em postos de destaque nas pré-candidaturas do PSOL, UP e PSTU.

A escolha confirma um perfil que Cadu vinha buscando para o posto: uma mulher do interior. Larissa afirmou receber a indicação “com gratidão” e disse que pretende construir “uma campanha de verdade, com o pé no chão, olho no olho, escuta e propostas reais”. Já Cadu Xavier definiu a escolha como um movimento que amplia o diálogo político e acrescenta “a força de Mossoró” à chapa.

Saiba Mais: Cadu aposta em Larissa para ampliar palanque no Oeste e reforçar aliança com PSB

A chapa governista também terá representatividade feminina ao Senado. Samanda Alves (PT) vai concorrer a uma das duas vagas à Casa Alta, ao lado de Rafael Motta, indicação do PDT.

As mulheres ainda terão presença na chapa para o Governo em outras pré-candidaturas da esquerda no estado. No PSOL, o pré-candidato a governador é Robério Paulino. O partido deverá ter chapa puro sangue, e a escolhida para vice foi a assistente social Lenny Grilo, definida em reunião da sigla ocorrida em 13 de julho.

O PSOL também terá uma mulher como candidata a senadora. A médica pediatra e sindicalista Sônia Godeiro será candidata ao cargo, que terá como nome para a outra vaga o ex-deputado Sandro Pimentel.

Saiba Mais: Mesmo cortejado pelo PT, PSOL seguirá com chapa própria no RN

Já a Unidade Popular (UP) anunciou neste mês a trabalhadora doméstica e militante sem-teto Arinalda Medeiros, de 46 anos, como pré-candidata a governadora. Arinalda chegou ao partido por meio da militância no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e terá como uma das bandeiras de campanha a luta contra o déficit habitacional no estado.

O pré-candidato a vice é o servidor público Francisco Dias — que, antes, havia sido anunciado para a vaga ao governo. A mudança na cabeça de chapa foi pensada para valorizar a participação feminina.

“É preciso que uma mulher negra, moradora de ocupação que sente na pele a realidade do nosso povo, sente todas as  mazelas e as desgraças desse sistema, esteja ocupando essa cabeça da chapa. Por isso, ter uma mulher nessa eleição pré-candidata ao governo do Estado é desafiar os grandes, é desafiar a burguesia, é mostrar que não temos medo de falar a verdade porque não temos rabo preso com os ricos”, defendeu Arinalda em entrevista à Agência SAIBA MAIS na última semana.

Saiba Mais: UP lança diarista e militante do MLB para o Governo do RN

Além de Arinalda Medeiros para governadora, a UP já apresentou o nome de Samara Martins como pré-candidata à presidência. Ela é nascida em Belo Horizonte (MG), mas mora em Natal. Começou sua militância no movimento estudantil, participou do grêmio da sua escola e da Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas da Grande BH (AMES-BH). Veio para a capital potiguar para estudar Odontologia na UFRN e também integrou a direção da União Nacional dos Estudantes (UNE). Mais recentemente, também foi uma das fundadoras da Frente Negra Revolucionária. Hoje, é servidora pública concursada e trabalha como odontóloga na Prefeitura de Parnamirim. Martins já foi candidata à vice-presidência em 2022, na chapa com Léo Péricles, e à vereadora de Natal em 2020.

O PSTU, por sua vez, será representado por uma mulher na vice-governadoria. A escolhida foi a jornalista Nanda Soares. Segundo o partido, a pré-candidatura vai defender a ampliação da rede de proteção às mulheres, com mais casas-abrigo, fortalecimento e expansão das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, investimento em políticas públicas de prevenção e combate à violência e ações efetivas para enfrentar o feminicídio e a desigualdade de gênero. 

Saiba Mais: PSTU anuncia chapa própria para Governo do RN e Senado

O candidato a governador será o sindicalista Dário Barbosa, que já disputou o mesmo cargo em 2018, se apresentou para o Senado em 2022 e já concorreu a prefeito de Natal, vice-prefeito, vereador e deputado estadual em diferentes pleitos.

Além de Nanda Soares, o PSTU também vai apostar em mulheres para o Senado. As pré-candidatas são a diretora do Sindsaúde-RN, Rosália Fernandes, e a professora Luciana Lima. 

Chapas da direita terão apenas homens para governo e vice

Por outro lado, as demais chapas que devem concorrer às eleições no Rio Grande do Norte não deram o mesmo protagonismo às mulheres para o Executivo — no caso do PL, partido que tem Álvaro Dias como governadorável, a presença feminina é nula.

A composição bolsonarista conta com Babá Pereira (PL) como vice e, para o Senado, Styvenson Valentim (Podemos) e Coronel Hélio (PL).

Em abril, em entrevista à 98 FM, Álvaro Dias foi questionado sobre a ausência de nomes femininos, mas disse que a chapa estava completa, sem chance para alterações.

“Pois é, né? Realmente. Talvez tenha sido uma falha aí, mas a chapa é os dois senadores, candidato a governador e vice, todos homens”, reconheceu.

Já a chapa de Allyson Bezerra (União) terá a presença de uma mulher apenas para o Senado — Zenaide Maia (PSD) concorre à reeleição, e a segunda cadeira estará com o vereador de Natal Tércio Tinoco (União). Já o vice do ex-prefeito de Mossoró será o deputado estadual Hermano Morais, indicado pelo MDB.