sábado, 29 de agosto de 2026

 

Acampamento Irmã Lindalva: luta por terra, alimento e permanência no território em Assú

29 de agosto de 2026
4min
Acampamento Irmã Lindalva: luta por terra, alimento e permanência no território em Assú
Faixa de mobilização do Acampamento Irmã Lindalva | Fonte: Diego Dantas
QR Code

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Por Cynthia Valéria Barbosa Gomes Lobato e Izábya Grasiely Fontes Palhano*

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) carrega 50 anos de história marcada pela luta em defesa da justiça social no campo e pela igualdade no acesso à terra e à água, sendo uma das principais referências nacionais no acompanhamento de movimentos camponeses que reivindicam o direito de produzir, de viver e de permanecer em seus territórios. É por meio dos acampamentos que essa luta se materializa de forma mais concreta, já que nesses espaços, trabalhadores e trabalhadoras sem-terra se estabelecem próximos a áreas consideradas improdutivas ou passíveis de desapropriação para fins de reforma agrária, funcionando como uma forma de mobilização social e pressão política para que o Estado enfrente a concentração fundiária e promova uma distribuição mais justa da terra.

Essas estruturas ficam em locais estratégicos como forma de protesto e pressão sobre os poderes políticos, como ocorre no Acampamento Irmã Lindalva, localizado no município de Assú, no Rio Grande do Norte, cujo nome presta homenagem a uma religiosa da cidade que realizava trabalhos voluntários e foi brutalmente assassinada por não ter correspondido aos assédios de um homem. Uma mulher cuja memória hoje inspira e fortalece a resistência de quem luta pela terra.

Roda de conversa entre os acampados | Fonte: Izábya Palhano

Desde janeiro de 2025, aproximadamente 187 famílias apoiadas pela CPT têm como uma das reivindicações centrais, a ocupação de terras que antes poderiam ser destinadas à produção de alimentos e que hoje se encontram improdutivas. Os próprios acampados expressam com clareza os fundamentos de sua luta: “Precisamos de um pedaço de terra para produzir”; “Eu sou da terra”. Essa busca, no entanto, enfrenta resistências institucionais significativas.  O INCRA, por exemplo, emitiu um relatório que limita a ocupação das famílias, enfatizando a ausência de água e a suposta infertilidade do solo para o plantio de cajueiros, avaliação que os acampados contestam veementemente, resistindo às informações divulgadas no documento.

Outra problemática citada é que o Acampamento Irmã Lindalva se encontra próximo à BR-304, que atualmente está em processo de duplicação para melhoria do tráfego de trânsito entre os municípios de Assú e Mossoró, com um fluxo diário de aproximadamente 6.000 veículos, tornando o local bastante visível para quem transita pela região. Os acampados, inclusive, relatam que são frequentemente chamados de “desocupados” por pessoas que desconhecem os reais motivos da ocupação. Esse desconhecimento sobre a real situação dos acampados é reforçado pela cobertura midiática, muitas vezes inconsistente e que se mostra contrária à luta das famílias, o que acaba por apresentar uma realidade distorcida sobre os acampamentos sem-terra.

Merece destaque, ainda, a dimensão feminina da resistência, onde as mulheres se organizam em um grupo denominado “Guerreiras da Terra”, que ressalta a centralidade da presença feminina no processo de ocupação e construção do território, revelando que a luta pela terra é também uma luta por autonomia e pelo reconhecimento da mulher camponesa como sujeito político.

Dessa forma, a luta das camponesas e dos camponeses do Acampamento Irmã Lindalva é, em sua essência, uma luta pela soberania alimentar, pela valorização da agricultura familiar e pelo direito de produzir alimentos saudáveis, livres do uso de agrotóxicos. Trata-se de uma resistência que reafirma, em cada acampado e cada acampada, a importância de uma relação justa e sustentável com a terra, reconhecendo seu papel fundamental na manutenção da vida, na produção de alimentos e na garantia de trabalho, renda e dignidade para as famílias que dela dependem.

*Cynthia Valéria Barbosa Gomes Lobato é doutoranda em Desenvolvimento e Meio-Ambiente na UFERSA

*Izábya Grasiely Fontes Palhano é mestranda em Ecologia e Conservação na UFERSA

Este texto foi elaborado no âmbito da disciplina de Ecologia Política do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, ministrada pelos professores Cristina Baldauf e Leandro Vieira Cavalcante. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade direta dos autores do texto.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

N° 123



 

 

Sandro Pimentel defende fim da escala 6x1 e lei anti-calote no Senado

28 de agosto de 2026
3min
Sandro Pimentel defende fim da escala 6x1 e lei anti-calote no Senado
O candidato a senador disse que quer apresentar uma lei contra as empresas terceirizadas que prestam serviço ao poder público, mas não pagam em dia os salários dos funcionários contratados - Foto: Victor Meirelles
QR Code

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Entrevistado da noite desta quinta-feira (27) na sabatina com candidatos a senadores da Band-RN, Sandro Pimentel (PSOL) saiu em defesa do fim da escala 6×1 e prometeu apresentar como projeto de lei, caso seja eleito, uma lei anti-calote para proteger terceirizados.

Pimentel criticou a demora na tramitação da PEC do fim da escala 6×1 no Senado — o texto já foi aprovado pela Câmara. Ele convocou a população a um ato no domingo (30) e disse que vários dos trabalhadores, como aqueles por aplicativo, não têm folga nenhuma.

“Nós queremos que as pessoas tenham direito a ir pra uma praia, a um shopping, a um lazer no final de semana, levar a sua família, seus filhos, sua esposa, seu namorado, seu companheiro, etc. Então isso não dá pra continuar assim, onde as pessoas trabalham seis dias por semana, só têm um dia de folga e mais. Muitos dos trabalhadores e das trabalhadoras estão na 7×0. Não tem folga nenhuma, basta ver as pessoas que operam em aplicativos”, afirmou.

O candidato a senador disse que quer apresentar uma lei contra as empresas terceirizadas que prestam serviço ao poder público, mas não pagam em dia os salários dos funcionários contratados — a chamada lei anti-calote. 

“Para preservar os trabalhadores e as trabalhadoras terceirizadas que ficam muitas vezes sem receber o FGTS, férias, 13º”, disse.

E afirmou que também pretende levar uma lei de sua autoria no Rio Grande do Norte, quando foi deputado estadual, para Brasília: o Estatuto de Cuidado e Proteção aos Animais. 

Sandro Pimentel ainda prometeu fiscalizar o Poder Judiciário, e disse que é impossível ficar milionário com o atual teto do funcionalismo público, de R$ 46.366,19. “Esses que têm jatinho e que têm iate, fruto dos seus mandatos ou fruto de algum cargo no Judiciário, é porque roubou”, criticou.

“Então nós vamos fiscalizar o Poder Judiciário. Não dá para continuar o Conselho Nacional de Justiça sozinho fiscalizando, sendo majoritariamente composto por quem está no Judiciário. É a raposa tomando conta do galinheiro. Então nós queremos fazer uma mudança severa nesse processo”, apontou.

Pimentel ainda reivindicou ser parte do chamado “time de Lula” no estado. O PSOL nacional está na coligação do presidente à reeleição, mas no Rio Grande do Norte PT e PSOL estão em chapas separadas com candidatos próprios ao Governo e Senado.

“Eu faço parte do time de Lula. Talvez eu esteja na reserva, mas eu faço parte porque eu voto em Lula, eu estou pedindo voto para Lula, o PSOL é aliado, nós estamos fazendo uma aliança nacional e nós vamos percorrer os quatro cantos desse estado e do Brasil onde o PSOL está para que a gente consiga reeleger o presidente Lula a, novamente, mais quatro anos. Essa coisa de estar no time ou de não estar no time, aí depende muito da forma com que se foi construído e a gente respeita, mas o nome de Lula eu levo para onde vou nessa campanha”, explicou.

RECOMPOSIÇÃO DO TERRITÓRIO DO POTENGI

ACONTECENDO NESTE MOMENTO A REUNIÃO DE RECOMPOSIÇÃO DO TERRITÓRIO DO POTENGI, TENDO COM OBJETIVOS: CRIAÇÃO DO COLEGIADO E DO NUCLEO DIRETIVO COM SUA RESPECTIVA COORDENAÇÃO.