quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 

Agência revela 'esquema de Flávio Bolsonaro na pandemia'

Gestores e ex-gestores hospitalares, parlamentares, funcionários dos órgãos de controle da União e servidores públicos apontam que Flávio teria desempenhado um papel na gestão dos hospitais mesmo sem ocupar cargo no Executivo

Agência revela 'esquema de Flávio Bolsonaro na pandemia'

© Agência Senado / Leopoldo Silva

Rafael Damas
21/10/2026 17:12 ‧ há 18 horas por Rafael Damas

Nesta quarta-feira (21), voltou a repercutir nas redes sociais um artigo da Agência Pública que aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria exercido forte influência política sobre seis hospitais federais do Rio de Janeiro entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, onde servidores teriam denunciado uma suposta rede de corrupção.

 

A publicação relatou que, de acordo com gestores e ex-gestores hospitalares, parlamentares, funcionários dos órgãos de controle da União e servidores públicos, Flávio teria desempenhado um papel na gestão dos hospitais mesmo sem ocupar cargo no Executivo e durante a maior crise sanitária do país.

Segundo a CPI da Covid, cerca de 30% dos leitos clínicos e de UTI dos hospitais e institutos federais do Rio permaneceram fechados durante a pandemia, principalmente por falta de profissionais. Em abril de 2023, uma fiscalização parlamentar encontrou 735 leitos bloqueados ou inoperantes, alas trancadas, equipamentos abandonados e obras paralisadas. O Estado do Rio de Janeiro registrou mais de 2,8 milhões de casos confirmados de Covid e 77.166 mortes, sendo que mais da metade delas – 38,8 mil – ocorreram na capital. 

Auditorias do TCU e da CGU identificaram sobrepreços estimados em R$ 69 milhões numa licitação de materiais cirúrgicos e R$ 18,1 milhões em outra de medicamentos contra o câncer. As irregularidades foram detectadas preventivamente, antes da assinatura dos contratos. 

A atuação de políticos nos bastidores dos seis hospitais federais do Rio – Hospital do Andaraí, Hospital Geral de Bonsucesso, Hospital Cardoso Fontes, Hospital de Ipanema, Hospital da Lagoa e Hospital dos Servidores – durante a pandemia, deixou marcas nas unidades que fazem parte da rede de assistência do SUS. A milícia chegou a ocupar um terreno do Hospital Cardoso Fontes para extorquir funcionários e familiares de pacientes com a cobrança de estacionamento, segundo a Polícia Civil.

Ainda de acordo com a 'Pública', a gestão com liderança de Flávio Bolsonaro foi tão desastrosa que os hospitais acabaram sendo sucateados e mesmo com o grande número de pacientes, acabou demitindo profissionais e encerrando contratos com prestadores de serviços que eram essenciais.

Há também indícios de superfaturados de contratos. Durante a pandemia, enquanto brasileiros precisavam de atendimento, leitos permaneciam fechados e auditorias apontavam sobrepreços milionários em compras básicas para manter os centros de saúde.

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que é pastor evangélico de direita, acusou Flávio de ter liderado um esquema de corrupção nos hospitais federais do Rio. “Toda a estrutura de poder e de indicação política, e as empresas que participariam de licitações, que ganhariam ou perderiam, tudo isso estava dentro do grupo cuja cabeça era o senador Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Procurado, Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de entrevista.

ENCONTRO TÉCNICO DE APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA MAIS FARELO DE SOJA DA CONAB

 ACONTECEU ONTEM NA CONAB O ENCONTRO TÉCNICO DO PROGRAMA  MAIS FARELO DE SOJA NAS DEPENDÊNCIAS DA CONAB, PARCERIA CONAB/ OLEOPLAN, EMPRESA SITUADA NO RS COM FILIAL NA BAHIA, QUE IRÁ FORNECER O FARELO DE SOJA AOS/AS PRODUTORES/AS DO RN, A IDEIA É QUE COMECE A OPERAR NO DIA 03/11, O/A PRODUTOR/A TERÁ QUE FAZER UM CADASTRO, NO DIA 03 A OLEOPLAN DIVULGA O PREÇO DA FARELO, O/A PRODUTOR/A DIZ QUANTO QUER COMPRAR, REALIZA O PAGAMENTE E FAZ A RETIRADA NOS ARMAZÉNS DA CONAB, OU SEJA A CONAB VAI ENTRAR COM A ESTRUTURA DE ARMAZENAMENTO, NÃO VAI COMPRAR O FARELO.

UMA AÇÃO MUITO IMPORTANTE, SÓ QUE SUA CONTINUIDADE VAI DEPENDER DO RESULTADO DA ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE, COM VITÓRIA DE LULA, AUTOMATICAMENTE ESTARÁ ASSEGURADO A CONTINUIDADE.

 

Povos da floresta e do mar contra a extrema direita

Em 1987, quando o Brasil acabava de sair das sinistras décadas de ditadura militar, surgiu uma união de forças sociais que até então pareciam distantes. Comunidades extrativistas e indígenas da Amazônia, vítimas históricas dos grileiros, criaram a Aliança dos Povos da Floresta. O momento não poderia ter sido mais propício pois, deste grupo, que contava com lideranças como Chico Mendes e Ailton Krenak, saíram propostas que influenciaram a nova Constituição, promulgada em 1988.


O impacto político daquele encontro não pode ser esquecido neste momento em que a extrema direita, representada pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), busca privatizar o patrimônio natural brasileiro. Se na década de 1980 a suposta direita conciliatória cedia terras públicas a empreendimentos agropecuários, hoje a direita quer privatizar as praias e abrir as terras indígenas para a mineração.    


A partir da união de seringueiros e indígenas, a luta dos povos da Amazônia foi projetada para o mundo, levando preocupação aos chefes dos bancos de desenvolvimento internacionais. O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estavam liberando empréstimos para a criação de pólos de produção pecuária e financiando a abertura de estradas que cortavam os territórios tradicionais. Chico Mendes, em uma viagem emblemática a Washington, em 1987, conseguiu congelar alguns destes financiamentos e, como sabemos, pagou com a vida por sua coragem.


Mas sua luta sobreviveu: da profusão de ideias e da resistência criada surgiram outras lideranças, entre elas Marina Silva, a mais jovem senadora a ser eleita pelo Acre, na década de 1990, e depois a ministra de Meio Ambiente nas gestões de Lula. Ela levou a política ambiental para o coração do governo e conseguiu, com o apoio dos melhores cientistas e gestores, provar que é possível conter o desmatamento. 

No momento em que escrevo estas linhas, saem notícias mostrando que, em 2025, as taxas de derrubadas no Brasil atingiram nova baixa histórica. E o melhor, estes resultados já não estão se restringindo à Amazônia. Os dados do Deter, o sistema de alertas de desmatamento do INPE, mostraram uma redução de 30% em setembro no Cerrado. Uma notícia fantástica, uma vez que este é o bioma sob maior pressão, onde a ilegalidade e invasão de terras prosperaram nos últimos anos. 


Um dos alicerces da política de Lula e Marina para barrar a sanha destruidora é exatamente o combate à grilagem de terras e a promoção da regularização fundiária. Estudos de renomadas organizações não governamentais como o Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM) têm mostrado que, nos últimos anos, com os embargos e a repressão ao desmatamento em propriedades privadas, os criminosos passaram a fazer mais queimadas e derrubadas em unidades de conservação e terras indígenas.

“A grilagem de terras e a invasão de territórios indígenas definem muito o que é o Brasil. Nossa história colonial foi brutal contra os povos da floresta e seus efeitos sobre o nosso cotidiano perduram até hoje, como a persistência da violência no campo e as ameaças constantes sofridas por comunidades rurais.

Nesta polarização tremenda que vive o país, temos falado muito do interior e como a cultura do agro tem ajudado a definir os votos. Mas somos um país atlântico, com identidade litorânea e com uma conexão muito forte com as praias. Por isso, enquanto alertamos para o que está ocorrendo na floresta, não podemos deixar de apontar a especulação imobiliária que pode vir a transformar a costa brasileira.


A Proposta de Emenda Constitucional para regularizar a venda dos terrenos da Marinha gerou enorme polêmica em 2024. E agora, nesta eleição, voltou ao debate, pois ninguém menos do que Flávio Bolsonaro é o relator da proposta, que ficou conhecida como a PEC da Privatização das Praias. A ideia é permitir a venda de terras que ficam numa faixa que começa a 33 metros dos pontos mais altos de maré e que pertencem historicamente à União. O argumento dos defensores da proposta é de que isso levaria mais investimentos, em forma de condomínios e resorts, ao nosso litoral. Na prática, isso pode se tornar uma forma de fechar acessos e criar praias exclusivas para os donos do dinheiro.


Diante desta ameaça, fiquei imaginando se não seria o momento da Aliança dos Povos da Floresta voltar ao cenário nacional incorporando também os povos do mar. Assim como os extrativistas se tornaram guardiões de algumas das mais importantes reservas florestais do país, os pescadores artesanais, as marisqueiras e os catadores de caranguejo são os guardiões da nossa costa.  

O tema da proteção aos oceanos é especialmente importante. No ano que vem, o Brasil vai ser sede do encontro das Nações Unidas para a Década do Oceano, que ocorrerá em abril no Rio de Janeiro. E não é difícil imaginar que, como seu pai, Flávio Bolsonaro – se eleito – vai banir as conferências da ONU sobre meio ambiente que estão marcadas para acontecerem no Brasil. Em 2019, um dos primeiros desmandos de Bolsonaro foi cancelar a realização da Cúpula de Mudanças Climáticas em solo brasileiro. Apenas em 2025 a conferência voltou ao Brasil, na icônica COP 30 em Belém.  

Agora me parece que seria o momento de ampliar essa aliança: floresta e oceano unidos contra a política da morte. E a aliança pelo mar não será apenas importante para um governo de extrema direita. Os impactos da exploração de petróleo, a concessão de novos blocos em alto-mar e as mudanças climáticas farão da nossa costa um ponto central para qualquer futuro do país.



Um abraço,


Gustavo Faleiros

gustavo.faleiros@apublica.org

Colunista da Agência Pública

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

FLÁVIO BOLSONARO E OS HOSPITAIS DO RJ

 

Nesta quarta-feira, uma das missões do canal "Exército do Lula", comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), pediu aos seus seguidores para pesquisarem a frase “FLÁVIO BOLSONARO ESQUEMA PANDEMIA”. O primeiro resultado a aparecer foi uma investigação da Agência Pública.


No último domingo, durante o debate na TV Bandeirantes, Lula (PT) questionou Flávio Bolsonaro (PL) sobre o caso.“Eu queria fazer a pergunta: se ele [Flávio Bolsonaro] tem noção da destruição que ele fez nos seis hospitais federais do Rio de Janeiro, que nós agora estamos recuperando”. 


O presidente acusou o concorrente de mandar nos hospitais federais do Rio durante o governo do pai, Jair Bolsonaro. Lula falou de UTIs fechadas, de unidades sucateadas e de um “pedágio” cobrado de funcionários para estacionar no que Flávio respondeu que Lula estava “vomitando um monte de mentiras”.


Mas não é mentira. É jornalismo investigativo rigoroso, independente e fundamentado em fatos.


Em 1º de outubro, revelamos que Flávio Bolsonaro exerceu forte influência política nos hospitais federais do Rio de Janeiro entre 2019 e 2022. Nossa equipe ouviu gestores e ex-gestores hospitalares, parlamentares, funcionários dos órgãos de controle da União e servidores públicos.

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Um dos entrevistados é o deputado federal e pastor evangélico de direita Otoni de Paula (PSD-RJ), que apontou o senador Flávio Bolsonaro como líder de um esquema de corrupção nestes hospitais, afirmando que toda a estrutura de poder, indicações políticas e controle de licitações ficava sob o comando do parlamentar. 


Na mesma linha, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o "01" como o "poderoso chefão" da rede federal de saúde durante a gestão anterior, por determinar diretores, negociar contratos, operar rachadinhas políticas e contratar funcionários fantasmas.⁠

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Com orçamento superior a 3 bilhões de reais para os quatro anos, período em que o país enfrentou a pandemia de Covid, documentos e depoimentos obtidos pela Pública revelam que a precariedade no funcionamento dos seis hospitais federais do Rio convivia com contratos superfaturados e concentração de recursos em custeio de despesas, comandadas pelos administradores locais, que seriam indicados pelo grupo político de Flávio Bolsonaro. ⁠


Revelações dessa dimensão só vêm à tona porque a Pública não responde a governos, partidos ou conglomerados econômicos. Nosso jornalismo independente tem a liberdade editorial necessária para fazer perguntas inconvenientes e publicar verdades desagradaveis.


Para combater a desinformação e garantir que escândalos como esse não sejam varridos para debaixo do tapete, precisamos agir agora.

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Se esse segundo turno nos mostrou algo, foi a importância de uma comunidade engajada e mobilizada. Ter Aliados ao nosso lado é essencial em momentos desafiadores como este, em que a nossa democracia é colocada à prova.


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Um abraço,


Thiago Domenici

Diretor da Agência Pública e chefe da sucursal em Brasília