Styvenson é chamado de “fujão” e Hélio evita 6x1 em debate ao Senado

O debate promovido pelo Grupo Dial Natal com candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Norte foi marcado por críticas à ausência de Styvenson Valentim (Podemos), lembranças sobre a indicação da própria irmã do senador como suplente e cobranças a Rafael Motta (PDT) pelo voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. Coronel Hélio (PL), por sua vez, foi pressionado a se posicionar sobre o fim da jornada 6×1, mas evitou assumir uma posição clara sobre a proposta.
O debate contou com as participações de cinco candidatos: Samanda de Lula (PT), Rafael Motta (PDT), Sandro Pimentel (PSOL), Sônia Godeiro (PSOL) e Coronel Hélio (PL). Styvenson Valentim (Podemos), Zenaide Maia (PSD) e Tércio Tinoco (União) foram convidados, mas não compareceram.
Mesmo ausente, Styvenson foi um dos principais alvos
A ausência de Styvenson, que disputa a reeleição ao Senado, foi explorada pelos adversários ao longo do debate. Sandro Pimentel chegou a classificá-lo como “senador fujão” e questionou Samanda de Lula sobre uma declaração atribuída ao parlamentar em 2021, quando ele comentou um caso de violência contra uma mulher.
Na segunda rodada de confrontos, de temas livres, Sandro afirmou que Styvenson deveria estar presente para responder às críticas e relembrou a declaração feita pelo senador sobre a agressão.
“Por que uma mulher que foi agredida pelo marido não sabia por que tinha merecido receber dois tapinhas?”, questionou Sandro, ao relembrar a fala de Styvenson.
“É um senador cheio de contradições. Hoje, gravou um vídeo dizendo que vai votar a favor [do fim] da escala de trabalho 6×1, quando assinou uma emenda do senador Rogério Marinho, que indicou o suplente do Coronel Hélio, que permite o trabalhador trabalhar até 7 dias na semana. Aqui em Natal tem uma fala e quando chega em Brasília tem outra fala. Então quero rechaçar. É um senador que tem uma prática misógina, que passou a vida batendo em Fátima e recentemente fez essa fala dizendo que uma mulher que tinha apanhado tinha sofrido dois tapas bem merecidos e com certeza não estava rezando. Essa é a prática de um senador que não será reeleito”, criticou Samanda.
Samanda de Lula questiona suplências da chapa da extrema-direita e cobra posição sobre jornada 6×1
No confronto direto em que perguntou a Coronel Hélio, Samanda de Lula também questionou as indicações de suplências para as chapas do próprio Coronel Hélio e de Styvenson — Coronel Hélio tem como primeiro suplente Valério Marinho, pai do senador Rogério Marinho; já Styvenson indicou sua irmã Anne Kelly Valentim como suplente.
“É a turma da contradição e do atraso porque o senador dele [Coronel Hélio] é um senador que diz uma coisa e faz outra. Quando defende as mulheres, quando escolhe a própria irmã para ser sua primeira suplente”, afirmou.
Samanda também questionou o candidato do PL sobre as obras inacabadas na gestão de Álvaro Dias na Prefeitura de Natal — hoje, Álvaro é candidato a governador. Coronel Hélio justificou que o Hospital estaria funcionando na primeira etapa e prestes a inaugurar a segunda etapa, e a candidata do PT rebateu.
“É mentira que o hospital está funcionando. Eu sou vereadora do Natal. O hospital foi inaugurado, assim como outras obras por Álvaro Dias, o governador do Coronel Hélio, e nunca funcionou. Nunca atendeu um paciente.”
Samanda de Lula ainda perguntou sobre o fim da jornada 6×1 — o candidato bolsonarista disse que iria analisar caso fosse eleito, mas ponderou: “A única coisa que eu percebo é que, na verdade, hoje as relações diretas entre patrão e empregado são as melhores soluções”.
“Sobre o fim da jornada de trabalho 6×1, o suplente do senador, do coronel Hélio, é o pai do senador Rogério Marinho, o maior inimigo da classe trabalhadora brasileira. Então, eu estou mostrando aqui que o time que o Coronel Hélio defende é o time do atraso e das contradições aqui no Rio Grande do Norte”, disse Samanda em seguida.
Rafael Motta é cobrado por voto no impeachment de Dilma
No confronto envolvendo Sônia Godeiro e Rafael Motta, a candidata do PSOL criticou o adversário pelo voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e pelas críticas feitas por ele à deputada federal Natália Bonavides durante a disputa pela Prefeitura de Natal em 2024.
“Você faz autocrítica dessas coisas, do impeachment de Dilma, que você votou a favor, e de ter desrespeitado Natália e concorrido com ela, ao invés de estar aliado, e agora está junto de novo. Como é que é isso?”, questionou Sônia.
Rafael disse que à época era filiado ao PSB, legenda que atualmente tem Geraldo Alckmin como vice-presidente, e que a sigla havia definido uma posição favorável ao processo. Mas disse que “talvez” poderia ter adotado outra postura.
“Eu vi realmente, em seguida, o que houve, todos os desmantelos no nosso país, e a gente faz uma autocrítica, com toda certeza. Eu teria talvez me comportado de forma diferente naquele momento”, respondeu Rafael.
Rafael associou bolsonarismo às mortes na pandemia
Em outro momento, Rafael criticou Coronel Hélio e associou o grupo político apoiado pelo adversário à condução do governo federal durante a pandemia de Covid-19. No embate, o pedetista afirmou que o governo Jair Bolsonaro teria sido responsável por “700 mil mortes” durante a pandemia.
Na sequência, o candidato destacou sua atuação como deputado federal durante a pandemia e afirmou ter destinado recursos de emendas parlamentares para a aquisição de vacinas.
“Eu fui o primeiro deputado e o único que transformou emenda parlamentar em vacina, para salvar a vida”, declarou.








