O risco é real: vai faltar comida
Hoje, enquanto você lê esta reportagem, há mais de 800 milhões de pessoas subnutridas no mundo e 2 bilhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.
Se é um número grande demais para dimensionar, pense no Brasil. Estima-se que a população brasileira esteja em 216,5 milhões. De acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil, mais da metade sofre de algum nível de insegurança alimentar: 59 milhões em situação leve, 31 milhões em moderada e 33 milhões em situação de fome. Somente na capital paulista, 620 mil famílias vivem em situação de extrema pobreza e não podem se alimentar direito.
Isso ocorre no terceiro país que mais produz alimentos no planeta, 9% do total, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O anuário da FAO informa que a soma de toda comida produzida no mundo seja de 3,8 bilhões de toneladas ao ano. A fome, ainda que suas causas sejam multifatoriais, é resultado de um amplo problema distributivo. Mas estamos caminhando para que seja, também, um problema produtivo.
O mesmo documento da FAO aponta para uma redução de produtividade e qualidade nutricional das safras. O resultado seria uma fome crônica capaz de ampliar as desigualdades sociais e atingir exatamente aqueles que têm menos capacidade de adaptação.
Em um documento publicado em 2021, o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) alerta que o problema é para agora: pelo menos um terço da produção atual de alimentos já está em risco por causa do aquecimento global. No caso do Brasil, se o aumento da temperatura até o fim do século for de 3 °C, o prejuízo para a produção agrícola do país será de pelo menos 6%. No caso de haver um acréscimo de 4 °C, a produção média de hortaliças e leguminosas pode cair até 30%.
Um cenário de tragédia alimentar, mas também nutricional.
Fellipe Abreu/Agência Pública
Um terço da produção atual de alimentos já está em risco por causa do aquecimento global
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