quinta-feira, 11 de agosto de 2022

 

O amor e a chegada na Cidade de Deus

O amor veio primeiro [que a Cidade de Deus], porque eu sou mineira de São João del Rei e meu marido, quando eu o conheci, ele estava em São João del Rei fazendo uma revalidação de filosofia porque ele estudava no seminário para ser padre, não pode ordenar por uma questão de saúde, aí lá na faculdade onde estudava, quem deixou de ser padre fazia revalidação de filosofia lá em São João del Rei. E eu o encontrei lá, fazendo um curso de férias encontrei com ele, e, assim, foi amor à primeira vista, porque ele morava na Cidade de Deus, veio da Praia do Pinto, e eu, fruto do movimento da Teologia da Libertação, tinha a opção preferencial pelos pobres. Eu era pobre, sabe, mas tinha essa coisa da Teologia da Libertação. Então quando eu cheguei na Cidade de Deus eu conheci um ano de namoro por cartas, visita uma vez por mês, quando eu fui eu tive que esconder da minha família que morava lá. E eu encontrei a Cidade de Deus, em 1975, dividida, conforme o filme Cidade de Deus mostra, dividida em quatro áreas, com quatro gerências diferentes do tráfico, e a proibição de circular por toda a comunidade, e meu primeiro contato de organização foi na Igreja Católica, a Teologia da Libertação, né, o primeiro vínculo. Mas meu marido, ele era muito bem quisto. Uma palavra antiga, mas era isso que ele era, todo mundo adorava porque o conheceu como seminarista e acompanhou. Ele morava na quadra do pessoal que veio da Praia do Pinto, não é, porque na época ele morava na igreja, lá com o Padre Júlio, então todo mundo gostava dele, todo mundo. E o pessoal chamava ele de Padre Dirceu. Eu ganhei a afetividade que ele tinha como herança e legado, e eu fiquei viúva um ano e três meses depois do casamento. Ele morreu. E o amor que a comunidade, que as pessoas…. Quando eu falo comunidade, o pessoal da igreja, porque até então era o único lugar que eu tava atuando, né, nas Comunidades Eclesiais de Base. Eram os grupos de reflexão onde a gente exercia o ver, julgar e agir, ver, julgar, agir e rever, e a gente ia discutindo as questões da comunidade na ótica da Teologia da Libertação. Os meus vizinhos, que eram da Praia do Pinto, quando meu marido morreu, eles me ofereceram a solidariedade de ajudar a criar meu filho, né […].

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