sábado, 13 de agosto de 2022

CAMPANHA NO FACEBOOK E TELEGRAM

 Laura Scofield
Sentinela Eleitoral

No Facebook, o post mais compartilhado sobre o tema é de autoria da deputada Carla Zambelli e chegou a mais de 35 mil interações, 25 mil curtidas e 1.600 comentários. “Você já assinou? Se ainda não, bora!”, pede a deputada. Para convencer seu público, Zambelli compartilha trecho da Jovem Pan News que repete trechos do manifesto, como a afirmação de que “há em nosso país a gravíssima tentativa da ditadura do pensamento único, que vem impondo a censura e a desmonetização dos meios de comunicação independentes e de perfis em redes sociais”.

A reportagem também identificou que existem ao menos dois anúncios pagos no Facebook que sugerem a assinatura do texto bolsonarista, feitos pelas páginas Professor Paschoal e Paulo Amorim & Simpatizantes do Liberalismo Econômico. Também foram veiculados anúncios divulgando o manifesto da USP.

Reprodução
Anúncio pago no Facebook feito pela página Professor Paschoal
Já no Telegram foram identificadas 109 publicações sobre o texto da extrema-direita. A maior parte delas apenas reproduz o link para o manifesto e chama o público para assiná-lo. Por outro lado, a busca pelo termo que nomeia o manifesto da USP na rede identifica a propagação de desinformação. Um post do canal @bolsonaro2022forte, que tem 944 inscritos, foi o mais visualizado da base do Sentinela Eleitoral: chegou a 744 visualizações e foi encaminhado cinco vezes.

“É simples explicar a revolta dos banqueiros com o presidente Jair Bolsonaro: há um grupo que sonha com o ex-presidiário Lula vencendo as eleições e revogando o Pix”, afirma a publicação.

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O canal diz que os banqueiros aderiram ao manifesto pela democracia “porque os bancos perderam R$ 40 bilhões por ano com a criação do Pix”. O argumento já foi desmentido por agências de checagem.

“Bolsonaro desde o início de seu mandato trata a narrativa como uma arma. Ganhar a guerra da narrativa é fundamental para o bolsonarismo”, explica Jonatas Varella, mestre em ciência política e pesquisador de comunicação política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele considera ser uma estratégia eleitoral criar uma “contranarrativa” ao movimento da USP. “Isso é importante para municiar a sua base [de Bolsonaro] e manter ela ativa e engajada”, diz.

Os números de assinantes nos manifestos da USP e do bolsonarismo estão alternando na liderança do ranking. Até o dia em que esta matéria foi publicada, o texto feito pelos ex-alunos da Faculdade de Direito tem 874.714 assinaturas, enquanto o texto do ADBR soma 845.818.

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