domingo, 17 de julho de 2022

"SEREI O PRÓXIMO A MORRER?"

 


REPORTAGEM

“Serei o próximo a morrer?”

Rede Amazônica/ Reprodução

Assédios, intimidações e ameaças: servidores da Funai que atuam na Amazônia e em Brasília contam detalhes do dia a dia sob Bolsonaro


11 de julho de 2022

06:00

Caio de Freitas Paes

 ESPECIAL: VALE DO JAVARI — TERRA DE CONFLITOS E CRIME ORGANIZADO

“Internamente, funciona assim: tudo o que a diretoria não gosta, ela classifica como ‘ideológico’ 

“Minha família já pediu diversas vezes para eu repensar, para sair daqui, mas o trabalho não pode parar" 

“A saída do Bruno [do cargo de chefia da CGRIIC] foi um inferno para nós" 

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Não é segredo que a Fundação Nacional do Índio (Funai) parece ignorar sua principal missão – a proteção aos povos indígenas – durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Não à toa, após o assassinato do indigenista licenciado Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips os servidores da pasta se rebelaram contra a atual diretoria: a categoria lançou, junto ao Instituto de Estudos Socioeconômicos, um dossiê com mais de 200 páginas, uma espécie de radiografia do atual desmonte da Funai, e iniciou uma greve nacional pela saída de Marcelo Xavier da presidência do órgão.


O cargo é ocupado pelo delegado da Polícia Federal (PF) desde julho de 2019. No período, o governo inundou a Funai com agentes de segurança: para se ter ideia, segundo o dossiê recém-lançado, mais da metade das coordenações regionais do órgão estava sob controle de militares, policiais militares e federais até maio passado. Alguns deles já falaram em “meter fogo” em povos isolados, cometeram agressões físicas contra indígenas e envolveram-se em acordos de arrendamento de reservas.  


No fim das contas, o brutal crime ocorrido no Vale do Javari (AM) fez com que alguns indigenistas rompessem a mordaça. A maioria dos entrevistados na ativa da Funai relatou em detalhes à Agência Pública parte da rotina de assédios, intimidações e ameaças de morte que tem sofrido nos últimos quatro anos.


José Medeiros/Agência Pública

Servidores da Funai afirmam sofrer assédios, intimidações e ameaças

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