sábado, 29 de dezembro de 2012

CAMINHÃO DO GOVERNO FEDERAL É INCENDIADO EM ÁREA DE CONFLITO EM MATO GROSSO


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DANIEL CARVALHO
DE SÃO PAULO

Um caminhão do governo federal carregado com cestas básicas foi saqueado e incendiado na tarde desta sexta-feira (28) em Posto da Mata, distrito de Alto Boa Vista, no nordeste de Mato Grosso.
No local fica o "quartel general" da resistência dos posseiros que têm de deixar os 165 mil hectares que a Justiça reconheceu em novembro deste ano como terra indígena xavante Marãiwatsédé.
Uma comerciante ouvida pela Folha disse, sob condição de anonimato, que testemunhou a ação. Ela afirmou que a BR-158 estava bloqueada desde o fim da manhã na altura de Posto da Mata.
Por volta das 14h, manifestantes retiraram a carga, jogaram gasolina e atearam fogo ao veículo.
O secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, disse que o motorista e a uma mulher que o acompanhava foram ameaçados de morte.
"[Disseram a eles que] 'dessa vez é o caminhão, depois vão ser vocês que vão ser mortos'", afirmou o secretário.
Segundo Maldos, a mulher passou mal e foi levada ao município de Porto Alegre do Norte, na mesma região.
O caminhão estava cedido à Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). O veículo levaria cestas básicas a comunidades indígenas do município vizinho de São Félix do Araguaia.
No início do mês, posseiros armaram uma emboscada frustrada para os agentes federais de segurança que atuam na operação de retirada. Também são suspeitos de montar armadilha em uma ponte para caminhoneiros que estavam presos em um dos pontos de interdição.
"Virou uma quadrilha de altíssima periculosidade. A gente está lidando com gente bandida", disse Maldos.
O governo federal informou que 83 fazendas localizadas no interior da terra indígena foram vistoriadas e que 46 já estão em posse da Funai (Fundação Nacional do Índio).
Posseiros ocupam a área desde 1992. A terra indígena foi homologada em 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em novembro deste ano, as famílias não índias foram notificadas a deixar o local por oficiais de Justiça.
Manifestantes dizem que a Funai errou propositalmente a demarcação para encobrir suposta falha do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A fundação nega a acusação.

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