Governador tucano se alia a latifundiária Golpista
Perillo protege fazenda de Ana Amélia Lemos
publicado
09/09/2016
Nenhuma família sem casa, disse o Papa Francisco!
Via MST:
NOTA DE REPÚDIO AO DESPEJO ARBITRÁRIO DE FAMÍLIAS SEM TERRA DO DISTRITO FEDERAL E ENTORNO
O Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST) denuncia o violento despejo das mil famílias sem terra
acampadas na Ocupação Adão Pretto, na Fazenda Saco Bom Jesus, de
propriedade da senadora Ana Amélia Lemos (PP), no município de Formosa –
GO, no dia 08 de setembro. A ocupação, realizada no mesmo dia, mostrou à
sociedade a existência de latifúndios improdutivos ao mesmo tempo em
que é negado o acesso à terra à milhares de famílias.
Para a realização do despejo um
grupamento da Polícia Militar de Goiás, composto por grupos de operações
especiais, com cerca de 30 soldados fortemente armados com fuzis e
escopetas, romperam as cercas e adentraram violentamente a ocupação.
Eles exigiram a imediata retirada das famílias, ameaçando com um despejo
forçado, sem que houvesse sequer um Boletim de Ocorrência. Ainda
observamos a atuação de milícias a paisana, sem identificação, atuando
em conjunto com as forças policias.
Na violenta ação os comandantes da
polícia afirmaram a impossibilidade de diálogo do Movimento com o
Governo de Goiás, sob mando do governador Marconi Perillo (PSDB). O
governo julgou não ser necessária uma reintegração de posse expedida por
juiz para que realizem o despejo.
Os comandantes informaram que o Governo
de Goiás havia suspendido a comissão estadual de mediação de conflitos
agrários, o que era mais um motivo para não ocorrer qualquer diálogo
entre o Estado e as famílias que lutam pela terra. Por diversas vezes os
comandantes ameaçaram voz de prisão, como instrumento de coerção, às
pessoas da ocupação. Estavam ali mulheres, homens, crianças e pessoas
idosas.
A truculência demonstrada com o
acampamento Adão Pretto é mais um capítulo da atuação repressora do
Governo do estado de Goiás, cujo respeito aos direitos dos trabalhadores
e trabalhadoras Sem Terra é negado diuturnamente.
A criminalização da luta social no
estado de Goiás tem como base de sustentação o pacto realizado entre o
governador Marconi Perillo, via seu vice-governador e Secretário de
Segurança Pública, José Elinton, com setores do agronegócio e o poder
judiciário.
O objetivo desse pacto é criminalizar
os movimentos de luta pela terra e tentar inviabilizar qualquer
movimentação das famílias sem terra. É fruto dessa articulação entre
Judiciário e Executivo local a tentativa de enquadramento do MST na Lei
12.850/2103, de definição de organização criminosa.
A prisão de Luiz Batista Borges e José
Valdir Misnerovicz, ambos integrantes do MST e detidos há cinco e três
meses, respectivamente, é um exemplo da ação do Estado em transformar os
defensores do direito à terra em criminosos.
O que acontece em Goiás é uma escalada
de violações aos direitos humanos e a negação do direito à organização
de qualquer cidadão. Exigimos do governo de Goiás o cumprimento do seu
dever estatal de promover a Reforma Agrária.
Contamos com a solidariedade e pressão
de todas as organizações populares, sindicais, partidárias e religiosas
no repúdio à violência sofrida pelos trabalhadores e trabalhadoras Sem
Terra. De nossa parte, mantemos o compromisso de não recuar da justa
luta pela terra para a produção de alimentos saudáveis e sem venenos.
Formosa, Goiás, 09 de Setembro de 2016
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST


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