sábado, 8 de novembro de 2014

Eleições 2014

Câmara frustra expectativas e não se renova

Nesta eleição, 273 deputados federais foram reeleitos e 240 são novos nomes; renovação está na média dos pleitos anteriores
por Piero Locatelli — publicado 07/10/2014 10:00, última modificação 07/10/2014 10:10
Agência Brasil
Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados
Botão Eleições 2014Ao contrário da expectativa após as mobilizações nas ruas no ano passado, uma grande renovação dos nomes que ocupam a Câmara dos Deputados não aconteceu neste ano. Segundo levantamento feito pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), a troca de nomes aconteceu de maneira similar ao que ocorre desde 1990.
Dos 513 deputados que devem ocupar a Câmara a partir do dia 1º de janeiro, 273 foram reeleitos e 240 são novos deputados federais. Desta forma, a renovação foi de 46,78% – índice muito próximo à média histórica (veja tabela abaixo). Na última eleição, por exemplo, a taxa de renovação foi de 47,95%, ainda segundo o instituto.
Desde a Constituição de 1988, a maior renovação aconteceu na primeira eleição após sua promulgação, em 1990, quando 61,82% da casa foi composta por novos nomes. A menor foi em 1998, ano da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, quando 43,86% dos deputados foram trocados.
AnoReeleitosNovosRenovação
199018930661,82%
199423027354,28%
199828822543,86%
200228323044,83%
200626724647,95%
201028622744,25%
201427324046,78%
O resultado contradiz previsões de diversos analistas, incluindo do próprio instituto. No dia 30 de setembro de 2013, a um ano da eleição, o diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, escreveu artigo onde previa uma grande mudança.
Queiroz colocava quatro fatores como causa para essa renovação. O primeiro seria uma ênfase maior dos partidos na Câmara dos Deputados, uma vez que o número de representantes naquela casa estabelece o repasse do fundo partidário e o tempo na televisão e no rádio de cada legenda. O segundo seria a consequência da indignação mostrada nos protestos de rua, clamando por mudanças e movido à indignação. O terceiro motivo elencado por Queiroz seria uma grande desistência de candidatos à reeleição devido a uma desilusão com o Parlamento.
Por fim, Queiroz atribuía a provável mudança ao atual ambiente político. “Quando o ambiente é de crise, com escândalos, como o atual, a renovação aumenta.”
Os erros nas previsões de Queiroz mostram a dificuldade que diversos analistas tiveram ao prever os resultados eleitorais deste ano, em diversos estados e para os dois diferentes poderes. Agora, os resultados mostram que a indignação da rua e o grande sentimento de mudança, levantado em inúmeras pesquisas, não transbordou para as ruas.

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