Eleições 2014
Câmara frustra expectativas e não se renova
Nesta eleição, 273 deputados federais foram reeleitos e 240 são novos nomes; renovação está na média dos pleitos anteriores
Agência Brasil
Dos 513 deputados que devem ocupar a Câmara a partir do dia 1º de janeiro, 273 foram reeleitos e 240 são novos deputados federais. Desta forma, a renovação foi de 46,78% – índice muito próximo à média histórica (veja tabela abaixo). Na última eleição, por exemplo, a taxa de renovação foi de 47,95%, ainda segundo o instituto.
Desde a Constituição de 1988, a maior renovação aconteceu na primeira eleição após sua promulgação, em 1990, quando 61,82% da casa foi composta por novos nomes. A menor foi em 1998, ano da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, quando 43,86% dos deputados foram trocados.
| Ano | Reeleitos | Novos | Renovação |
| 1990 | 189 | 306 | 61,82% |
| 1994 | 230 | 273 | 54,28% |
| 1998 | 288 | 225 | 43,86% |
| 2002 | 283 | 230 | 44,83% |
| 2006 | 267 | 246 | 47,95% |
| 2010 | 286 | 227 | 44,25% |
| 2014 | 273 | 240 | 46,78% |
O resultado contradiz previsões de diversos analistas, incluindo do próprio instituto. No dia 30 de setembro de 2013, a um ano da eleição, o diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, escreveu artigo onde previa uma grande mudança.
Queiroz colocava quatro fatores como causa para essa renovação. O primeiro seria uma ênfase maior dos partidos na Câmara dos Deputados, uma vez que o número de representantes naquela casa estabelece o repasse do fundo partidário e o tempo na televisão e no rádio de cada legenda. O segundo seria a consequência da indignação mostrada nos protestos de rua, clamando por mudanças e movido à indignação. O terceiro motivo elencado por Queiroz seria uma grande desistência de candidatos à reeleição devido a uma desilusão com o Parlamento.
Por fim, Queiroz atribuía a provável mudança ao atual ambiente político. “Quando o ambiente é de crise, com escândalos, como o atual, a renovação aumenta.”
Os erros nas previsões de Queiroz mostram a dificuldade que diversos analistas tiveram ao prever os resultados eleitorais deste ano, em diversos estados e para os dois diferentes poderes. Agora, os resultados mostram que a indignação da rua e o grande sentimento de mudança, levantado em inúmeras pesquisas, não transbordou para as ruas.
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