Repórter do Intercept desabafa sobre caso escabroso do PI

Um dos profissionais mais renomados do estado, Batista foi indiciado, mas conseguiu se livrar do processo criminal. O inquérito foi arquivado a pedido de Raulino Neto, promotor do Ministério Público do Piauí e amigo de longa data do médico. Ele continuou fazendo consultas ginecológicas e voltou a se sentir seguro para praticar novos abusos. Em outubro de 2018, outra mulher o denunciou à polícia, como mostramos no Intercept no fim do ano passado, o que deu origem a um segundo inquérito. A medida cautelar que proíbe Batista de atuar como médico é parte desse processo, que tramita em sigilo na 3ª Vara Criminal de Teresina. Hoje, quem liga para as clínicas em que ele trabalhava escuta que o médico está de “licença por tempo indeterminado.”
Em agosto, o juiz João Bittencourt atendeu a um pedido da polícia, reforçado por um parecer do Ministério Público Estadual, que também queria a prisão do médico. Batista não foi preso por conta de um habeas corpus, mas está proibido de sair de Teresina sem aviso prévio à justiça e também não pode manter contato com as vítimas, parentes e amigos delas.
Um mês após a publicação da reportagem, em janeiro, o juiz Luiz Henrique Moreira Rego reabriu a primeira investigação – até então arquivada a pedido do promotor amigo de Batista – com os depoimentos das nove mulheres que tinham denunciado o médico ainda em 2017. O juiz considerou que o surgimento de novas vítimas reforçava os indícios do crime, “sendo, portanto, pertinente, justo e necessário o desarquivamento dos autos”. Esse processo foi encaminhado para a 8ª Vara Criminal de Teresina e ainda está em andamento.
A situação do promotor Raulino Neto, aquele que quase conseguiu engavetar a investigação contra o amigo, também não é das melhores. No dia 2 de agosto, quatro membros da corregedoria do Ministério Público do Piauí votaram por puni-lo com censura, uma advertência formal que fica registrada na folha do servidor. Ele ainda responde a um processo administrativo disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público.
De The Intercept Brasil
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