quinta-feira, 20 de agosto de 2026

 

Natal marca primeira agenda de campanha de Lula nas eleições de 2026

20 de agosto de 2026
4min
Natal marca primeira agenda de campanha de Lula nas eleições de 2026
Lula chega na capital potiguar para compromissos institucionais e políticos, incluindo comício no estacionamento da Arena das Dunas, a partir das 17h - Foto: Joana Lima
QR Code

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Natal será o palco da primeira agenda de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026, após o lançamento oficial da campanha à reeleição para a Presidência da República, que ocorreu no último domingo (16), em São Bernardo do Campo (SP).

Lula vem a Natal para dois compromissos principais. O primeiro é institucional. A agenda oficial do presidente indica que ele parte da Base Aérea de Brasília para a capital potiguar às 12h, e desembarca às 14h20. De lá, vai para o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba. Lula e a governadora Fátima Bezerra (PT) vão anunciar o Rio Grande do Norte como sede de um supercomputador voltado à inteligência artificial, em um projeto com investimento previsto de cerca de R$ 1,8 bilhão.

O supercomputador de alto desempenho está previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) nas dependências do PAX. O equipamento é apontado entre os mais potentes do mundo e pode ampliar a capacidade do estado em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, além de atrair novos investimentos e fortalecer o ecossistema científico potiguar.

Fotos: Assecom/ Joana Lima

Já às 17h está marcada a agenda de campanha de Lula em Natal. O evento acontece no estacionamento da Arena das Dunas, em apoio aos candidatos do presidente no estado, como Cadu de Lula (governo), Samanda de Lula (Senado) e Rafael Motta (Senado).

O comício será aberto ao público, com acesso pela Avenida Prudente de Morais. A agenda deve reunir demais candidatos do campo progressista, militantes, apoiadores e lideranças políticas.

A expectativa é de alta movimentação no entorno da Arena das Dunas. A Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) já definiu uma operação de trânsito para cobrir a passagem do presidente, que terá início às 13h e contará com alterações na circulação de veículos na região. Os bloqueios serão realizados na alça de ligação entre as avenidas Lima e Silva e Prudente de Morais e no viaduto estaiado, no sentido BR-101. 

Outros bloqueios poderão ser implantados de forma pontual, conforme a necessidade operacional, para organizar os fluxos de chegada e saída do público e garantir a segurança de motoristas e pedestres.

A operação tem como objetivo ordenar a circulação durante o período de maior movimentação, reduzir conflitos entre veículos e pedestres e assegurar melhores condições de fluidez e segurança no entorno da Arena das Dunas.

Após o comício, Lula volta à Brasília a partir da Base Aérea de Natal às 20h. Nos próximos dias, o chefe do Planalto também tem agendas de campanha em outros estados. Na sexta-feira (21), ele participa em Minas Gerais de um ato em Belo Horizonte ao lado de Patrus Ananias, candidato do PT ao governo do estado. 

No sábado (22), o presidente participa no Rio de Janeiro de um evento ao lado do candidato ao governo do Estado, Eduardo Paes, os candidatos ao Senado Pedro Paulo (PSD) e Benedita da Silva (PT) e outras lideranças políticas.

 

Seja bem-vindo, presidente Lula! O seu time no RN está pronto para avançar

20 de agosto de 2026
9min
Seja bem-vindo, presidente Lula! O seu time no RN está pronto para avançar
QR Code

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Por Fátima Bezerra, professora e governadora do RN

Há momentos na vida pública em que a gente percebe que uma história não está chegando ao fim. Está ganhando novas mãos. Novas vozes. Novos rostos. Uma nova geração.

É esse sentimento que carrego ao olhar para o Rio Grande do Norte neste início de uma nova caminhada eleitoral. Não como quem se despede, mas como quem olha para trás com orgulho, reconhece o que foi construído e, sobretudo, olha para frente com a certeza de que uma nova geração está pronta para assumir responsabilidades e continuar avançando.

E talvez seja por isso que a chegada do presidente Lula ao Rio Grande do Norte, neste momento, tenha um significado tão especial para mim.

Lula faz parte da minha história. Faz parte da história do nosso projeto político e, sobretudo, faz parte da história de milhares de homens e mulheres que aprenderam que a política pode mudar suas vidas.

Nossa trajetória tem muitas coisas em comum.

Eu, assim como o presidente Lula, não nasci em berço de ouro. Comecei a vida em Nova Palmeira, em uma família de origem popular, convivendo com as dificuldades da seca, com a comida que muitas vezes precisava ser racionada e até com a interrupção dos estudos porque não havia condições de continuar.

Lula conhece essa história porque também veio de um Brasil em que milhões de brasileiros precisavam lutar todos os dias para sobreviver.

Talvez seja essa uma das razões pelas quais nossa caminhada política tenha sido tantas vezes atravessada pela mesma convicção, o Estado não pode existir para proteger privilégios. Ele precisa existir para abrir caminhos para quem historicamente teve os caminhos fechados.

Foi essa convicção que me trouxe até o Governo do Rio Grande do Norte.

E foi também ela que me fez compreender que chegar ao poder não poderia ser um ponto de chegada. Precisávamos reconstruir o Estado e colocá-lo novamente a serviço da população.

Quando assumimos o governo, encontramos um Rio Grande do Norte profundamente endividado, com dificuldades para manter serviços essenciais e com a capacidade de investimento praticamente comprometida. Foram anos de muito trabalho para recuperar as contas, reconstruir políticas públicas, retomar investimentos e devolver ao Estado a capacidade de planejar e realizar.

Muito foi feito. Mas muito ainda precisa ser feito. E é justamente aí que Lula volta a ocupar um lugar tão importante na nossa história.

Quando retornou à Presidência da República, em 2023, Lula encontrou um Brasil que também precisava ser reconstruído. Políticas públicas haviam sido desmontadas, direitos estavam ameaçados e o Estado brasileiro havia perdido capacidade de cuidar de milhões de pessoas.

Lula voltou e começou a reconstruir.

Agora, o Brasil tem diante de si a possibilidade de abrir um novo ciclo. Um ciclo em que aquilo que foi reconstruído possa avançar ainda mais, com mais investimentos, mais desenvolvimento, mais oportunidades e mais inclusão social.

Para o Rio Grande do Norte, isso é decisivo. Nosso Estado precisa estar preparado para esse novo momento. Precisa de um governo capaz de dialogar com Brasília, de construir parcerias, de defender seus interesses e de transformar as oportunidades nacionais em desenvolvimento para os potiguares.

É por isso que acredito que a discussão de 2026 não pode ser apenas sobre quem vai ocupar determinado cargo. É uma discussão sobre projeto. E, sobretudo, sobre quem estará preparado para levar esse projeto adiante.

É por isso que celebro com muita alegria e esperança a renovação. E uma renovação, não apenas do ponto de vista geracional, mas com muito espírito público e compromisso.  

Porque uma das maiores conquistas de uma trajetória política é ajudar a formar uma geração capaz de ocupar esses espaços com preparo, compromisso, coragem e espírito público. E é exatamente isso que vejo acontecendo hoje no Rio Grande do Norte.

Uma nova geração está chegando.

É nesse sentido que vejo Cadu.

Ele conhece o Estado, conhece a administração pública, conhece os desafios que enfrentamos e participou de perto do processo de reconstrução que iniciamos.

Tem preparo técnico, mas isso, sozinho, não basta. Quem governa precisa ter caráter, compromisso público, capacidade de diálogo e mãos limpas.

Cadu representa, para mim, essa possibilidade de renovação com experiência, com sabedoria e sensibilidade humana. Afirmo com muita serenidade: ele está preparado para fazer um governo à altura dos sonhos do povo do Rio Grande do Note. E vejo essa mesma disposição de contribuir com o estado em Rafael Motta, que também faz parte desse campo político comprometido com a democracia e com o desenvolvimento do nosso Estado.

E vejo essa renovação também em Samanda e em tantas outras companheiras que ocupam a política com uma energia nova, mas sem abrir mão da experiência, da formação e da responsabilidade que a vida pública exige.

Isso é renovação de verdade. Não é simplesmente trocar pessoas. É ampliar a presença de novas vozes, novas experiências e novas formas de fazer política. É permitir que mulheres que durante tanto tempo foram chamadas a participar apenas dos bastidores estejam agora no centro das decisões sobre o futuro do Estado e do país.

Samanda, para mim, tem ainda um significado especial.

Eu trabalhei com ela. Conheci de perto sua capacidade de trabalho, sua seriedade, sua disposição para enfrentar desafios e seu compromisso com a vida pública. Ela conhece o nosso governo por dentro. Conhece as dificuldades que enfrentamos, as decisões que precisamos tomar, as conquistas que alcançamos e aquilo que ainda precisamos construir.

Por isso, quando falo de Samanda, não falo apenas de uma nova liderança que surge. Falo de alguém que eu conheço e em quem confio. Vejo nela uma mulher preparada para ocupar um espaço nacional e levar para Brasília a voz do Rio Grande do Norte, da classe trabalhadora e de tantos homens e mulheres que precisam de representação política comprometida com suas vidas.

E há algo especialmente bonito nisso.

A menina que um dia precisou enfrentar as dificuldades da pobreza para estudar e chegar à universidade hoje olha para uma nova geração de mulheres ocupando os espaços que nós lutamos para abrir.

Isso é legado. Não o legado entendido como algo que pertence a uma pessoa, mas como aquilo que uma geração entrega à outra.

Essa talvez seja uma das maiores diferenças entre um projeto político coletivo e um projeto pessoal. Projeto pessoal termina quando termina a pessoa. Projeto coletivo continua quando encontra quem esteja disposto e preparado para seguir adiante.

Lula sabe que ninguém transforma um país sozinho. Eu também sei que ninguém transforma um Estado sozinho. Precisamos de gente comprometida, de equipes, de alianças, de diálogo e, principalmente, de um propósito comum.

É por isso que a presença de Lula no Rio Grande do Norte neste momento não é apenas motivo de alegria para mim. É também um sinal de esperança.

Porque eu conheço Lula. Conheço sua capacidade de acreditar quando muitos já perderam a esperança. Conheço sua disposição de reconstruir quando tantos preferem destruir. E sei o quanto ele representa para o povo brasileiro, especialmente para aqueles que durante muito tempo foram invisíveis para o poder.

Quero ver o Rio Grande do Norte preparado para caminhar junto com esse novo momento do Brasil. Quero ver um Estado capaz de avançar aproveitar os investimentos, os programas que já estão em curso e as oportunidades que virão. Quero ver nossa bancada defendendo os interesses do povo potiguar. Quero ver mulheres ocupando cada vez mais espaços de poder. Quero ver uma nova geração governando com responsabilidade, humanidade e compromisso.

É por isso que começo esta caminhada com esperança. Não como quem olha para trás para pedir que o passado se repita, mas como quem olha para frente acreditando que o futuro pode ser ainda melhor.

Tenho muito orgulho da história que construímos. Tenho orgulho de ter sido a primeira governadora de origem popular do Rio Grande do Norte. Tenho orgulho das dificuldades que enfrentamos e das transformações que conseguimos realizar.

Mas talvez uma das maiores alegrias de uma trajetória política seja perceber que aquilo que você ajudou a construir não termina em você. Ao contrário. Ganha novas vozes. Ganha novos rostos. Ganha uma nova geração. E ganha, também, a possibilidade de caminhar ao lado de Lula em um novo ciclo de  bem-estar, cidadania, desenvolvimento do Brasil.

Muito vale o que já foi feito. Mas, como diz a canção que sempre me acompanha, mais vale o que será.

O futuro não começa do zero. Ele começa com tudo aquilo que fomos capazes de construir, com as lutas que travamos, com as conquistas que alcançamos e com a coragem de entregar essa história a quem terá a responsabilidade de escrever os próximos capítulos.

É assim que entendo 2026.

E é assim que quero seguir, com Lula, com esperança e com a certeza de que uma nova geração, preparada e comprometida, pode levar ainda mais longe o sonho de um Rio Grande do Norte mais justo, mais inclusivo, mais humano e mais próspero.

Seja muito bem-vindo ao Rio Grande do Norte, presidente Lula!

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 

Uma lei que parcela prejuízos na conta de todos os brasileiros

Estava marcado para ontem, dia 12 de agosto, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento de ações diretas de inconstitucionalidade contra a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.090/2025), que entrou em vigor em fevereiro. A matéria está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que deve avaliar se a legislação está de acordo com o Artigo 225 da Constituição, segundo o qual cabe ao poder público e à coletividade "o dever de defender o meio ambiente e preservá-lo para as presentes e futuras gerações".


Apesar das expectativas da sociedade civil pelo julgamento, as três ações foram retiradas das pautas sem explicações e não há, por enquanto, informações de quando voltarão ao plenário do STF. O tema, entretanto, é urgente, uma vez que a legislação em vigor já está causando danos reais. 


Enquanto tramitava no Congresso, o texto da nova lei do licenciamento foi apelidado de “Projeto de Lei da Devastação” e ficou conhecido como “a mãe de todas as boiadas”. Isso porque seu potencial destrutivo é enorme, já que elimina várias etapas de avaliação dos impactos ambientais de grandes obras. Estamos falando de projetos de infraestrutura, como estradas e hidrelétricas, ou a instalação de empreendimentos de mineração e exploração de petróleo, que agora podem ser aprovados sem estudos e sem medidas compensatórias. 


O afrouxamento da lei foi negociado pelas bancadas retrógradas do Congresso sob a relatoria do ruralista Zé Vitor (PL-MG) na Câmara e apoio direto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União -AP). Este, claro, está de olho nos benefícios da exploração de petróleo na costa de seu estado, o Amapá. 


Ao sancionar a nova lei, o presidente Lula vetou vários artigos, mas eles foram derrubados pelo Congresso. Na prática, o que está valendo agora no Brasil é quase um auto-licenciamento, desprezando consulta às comunidades afetadas e a proteção de áreas protegidas ou de biomas sensíveis como a Mata Atlântica. No momento em que apresentaram a ação de inconstitucionalidade no STF, o Observatório do Clima junto ao PSOL, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e outras 11 organizações apontaram este como o maior retrocesso ambiental em 40 anos.


O atropelo revelou o profundo conflito que historicamente existe por trás do licenciamento ambiental no Brasil. Instituído pela Política Nacional do Meio Ambiente em 1981 (Lei 6938), o instrumento foi sempre demonizado por presidentes da República, parlamentares e claro, pelo setor produtivo, que o consideravam como uma barreira ao desenvolvimento e ao crescimento econômico. Tanto foi criticado que, com a atualização da lei, congressistas armaram verdadeiros golpes baixos, criando mecanismos como a Licença Ambiental Especial, que estabelece prazos irreais aos órgão reguladores.


Falar ao Ibama que deve aprovar em 12 meses uma estrada cortando a floresta amazônica é fácil. Mas em nenhum momento se discutiu a aprovação de orçamentos maiores para capacitar os órgãos ambientais ou contratar mais servidores. Ao longo dos últimos anos, a queda no quadro de fiscais e servidores do Ibama foi brutal. Em comparação a 2014, o número de funcionários é 30% menor.

Nunca fui funcionário público, mas muitas vezes me peguei pensando como me sentiria se fosse um servidor do Ibama e as autoridades de ocasião resolvessem jogar no lixo os meus pareceres técnicos. Penso nisso porque essa tem sido uma prática comum, não importa a cor do governo: durante a avaliação de um projeto, os técnicos indicam vários problemas, mas esses alertas são desconsiderados e, num canetaço, um ministro, presidente ou governador decide que obra vai em frente.

Vimos, seja nos governos de Lula, Dilma, Temer ou Bolsonaro, que a política e os interesses econômicos se impõe às análises objetivas. O problema é que, ao desrespeitar o rito de avaliação dos impactos ambientais, gestam-se consequências duríssimas. São hidrelétricas que funcionam com metade da capacidade de geração de energia, povos indígenas que perdem áreas de pesca e caça e populações deslocadas por enchentes descomunais, só para mencionar alguns efeitos irremediáveis.


A minha empatia por esses servidores do Ibama começou há vinte anos quando ocorria a grande polêmica em torno do licenciamento das hidrelétricas no rio Madeira, em Rondônia. Num parecer, os técnicos da casa apontaram que a construção de represas no maior afluente do Amazonas causaria danos às espécies de peixes migradores e afetaria diretamente a vida das pessoas vivendo às margens do rio. O presidente Lula se revoltou com aquela avaliação contrária ao empreendimento e forçou a mão. Teve dança das cadeiras no Ministério do Meio Ambiente e as licenças, ao final, foram todas concedidas. 


Passadas duas décadas desde a polêmica, o que aconteceu? Os peixes estão desaparecendo do rio Madeira e os períodos de cheia têm batido recordes, levando caos e danos econômicos às populações ribeirinhas e da capital Porto Velho. Tão grande é o problema das enchentes no rio Madeira que já se moveu uma ação judicial contra uma das empresas concessionárias por danos morais e materiais causados aos moradores afetados. O Tribunal Regional de Rondônia julgou improcedente a demanda.


Agora, se a lei anterior – e mais rigorosa –  de licenciamento ambiental já deixou muita gente e bicho na pior, podemos esperar muito desastre pela frente com a nova legislação. Em apenas poucos meses com as novas regras, temos exemplos patentes de desrespeito, eu diria mesmo inconstitucionalidade. Por exemplo, o projeto de mineração de ouro no rio Xingu, da empresa canadense Belo Sun, conseguiu após anos de resistência a licença de instalação. Isso apenas foi possível porque, com a nova legislação, a empresa pode prescindir do parecer da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Se uma bacia hidrográfica como a do rio Xingu, já brutalmente afetada pela construção de Belo Monte há cerca de dez anos, pode continuar recebendo empreendimentos de alto impacto sem consultar as comunidades que vivem nela, eu diria que os governos, as empresas e os investidores estão abraçando a barbárie. Antes, a discussão era como mitigar e compensar os impactos. Agora, vale tudo.

Provavelmente a maioria das pessoas nunca ouviu falar de Avaliação Ambiental Estratégica. Faz sentido, pois ela anda mesmo sumida dos debates públicos. Este foi um instrumento colocado sobre a mesa para melhorar o licenciamento ambiental não faz tanto tempo assim. Lá pelos idos de 2004, 2005, no momento em o primeiro governo Lula apresentava o então desconhecido Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), alguns quadros do alto escalão do governo tentaram emplacar essa ideia básica: antes de iniciar qualquer Estudo de Impacto Ambiental de um projeto, deve haver uma avaliação integrada de toda uma bacia, território ou ecossistema.   


A Avaliação Ambiental Estratégica era uma boa ideia, mas que morreu antes mesmo de se tornar realidade. Pior: agora que o Congresso aprovou mudanças radicais no Licenciamento Ambiental, a possibilidade de um olhar profundo sobre o território tornou-se ainda mais improvável.


No portfólio de obras do PAC estavam grandes projetos planejados ainda nos gabinetes da ditadura militar – Belo Monte entre elas. Como sabemos, assim como ocorreu no rio Madeira, sua construção foi feita à revelia de vários alertas sobre a capacidade de geração de energia em um rio com tantas variações em sua vazão. Isso tende ainda piorar com as mudanças climáticas e eventos extremos como o Super El Niño. 


Para fazer jus ao nome desta newsletter, devo dizer que decisões como essa – a de construir a qualquer custo uma hidrelétrica de grande porte como Belo Monte – afeta a todos. Sem capacidade de entregar a energia prometida e impactada pelas mudanças climáticas, Belo Monte virou um prejuízo parcelado na conta de luz de todos os brasileiros. Problemas como esse estão dormentes na próxima obra aprovada sem respeitar o direito constitucional de um meio ambiente preservado, para nós e para as futuras gerações. 




Um abraço,


Gustavo Faleiros

gustavo.faleiros@apublica.org

Colunista da Agência Pública