MST ocupa fazenda em João Câmara com 100 famílias e cobra reforma agrária

Cerca de 100 famílias ligadas à Brigada Chico Santana, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Norte, ocuparam na noite de sábado (8) a Fazenda Arizona, localizada no município de João Câmara, na região do Mato Grande. A ação integra a luta pela Reforma Agrária Popular e busca ampliar o acesso à terra para trabalhadores rurais sem propriedade.
Segundo o movimento, a fazenda possui mais de 1.000 hectares e foi escolhida por ser considerada uma área improdutiva. A ocupação ocorreu após a procura de trabalhadores e trabalhadoras do município que buscavam organização junto ao MST para reivindicar acesso à terra e condições de produção.
“A Fazenda Arizona possui mais de 1.000 hectares e, na avaliação do movimento, encontra-se em situação de abandono e sem cumprir uma função produtiva compatível com sua extensão. Ao mesmo tempo, existem muitas famílias sem acesso à terra em João Câmara que precisam produzir e garantir sua sobrevivência”, afirmou Josiane Martins, da Direção Estadual do MST e da Brigada Chico Santana Regional Mato Grande, em entrevista à Agência Saiba Mais.
A ocupação reúne famílias que reivindicam a destinação da área para a Reforma Agrária. O MST defende que propriedades consideradas improdutivas devem cumprir a função social prevista na Constituição Federal e possam ser destinadas ao assentamento de trabalhadores rurais. De acordo com Josiane Martins, a ação não é isolada, mas faz parte de uma estratégia histórica do movimento de organizar famílias sem terra, formar acampamentos e pressionar pelo avanço da Reforma Agrária no país:
“A ocupação da Fazenda Arizona está inserida em uma agenda mais ampla de luta pela terra e pela Reforma Agrária Popular, desenvolvida pelo MST no Rio Grande do Norte e em diferentes regiões do Brasil”, destacou.
Nos últimos cinco anos, segundo dados do movimento, o MST realizou mais de 30 ocupações de áreas consideradas improdutivas no Rio Grande do Norte, em mais de 15 municípios. As ações contribuíram para a organização de mais de 3 mil famílias acampadas e para a reivindicação de mais de 15 mil hectares de terras no estado.
Atualmente, o MST contabiliza 63 acampamentos em território potiguar, reunindo aproximadamente 6 mil famílias que aguardam acesso à terra por meio da Reforma Agrária.
Para o movimento, as ocupações são uma forma de organização coletiva e de pressão para que o poder público avance nos processos de obtenção e destinação de terras. A avaliação é de que a demanda por assentamentos permanece elevada, especialmente em regiões onde trabalhadores rurais enfrentam dificuldades para acessar áreas produtivas.
Com a ocupação da Fazenda Arizona, as famílias iniciam agora o processo de estruturação do acampamento e de mobilização para fortalecer a reivindicação pela destinação da área à Reforma Agrária.


Nenhum comentário:
Postar um comentário