Operação da PF, Ponta Negra e obras dominam debate no RN

O debate realizado pela Band RN na noite deste domingo (9) marcou o primeiro embate entre os principais candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Em quase duas horas, Allyson Bezerra (União), Robério Paulino (PSOL), Cadu de Lula (PT) e Álvaro Dias (PL) debateram propostas, mas também trocaram acusações e farpas.
Um dos mais visados foi Allyson Bezerra. Na pergunta sobre o porquê quer ser governador do estado, o ex-prefeito de Mossoró disse querer “entregar esperança para o nosso povo” e citou as visitas aos 167 municípios potiguares. Ao longo de todo o programa, contudo, Bezerra foi citado em relação à operação da Polícia Federal que apreendeu um celular, um notebook e dois HDs pessoais em sua casa, no mês de janeiro.
“Nunca fui visitado pela Polícia Federal”, disse Álvaro Dias em indireta. “Você devia explicar à população porque a Operação Mederi invadiu sua casa, levou seu celular, você se recusou a dar a senha do celular para a Polícia Federal, que está investigando o maior escândalo de corrupção”, afirmou Dias, em outro momento, antes de ser interrompido por ter acabado o tempo de fala.
“Eu tenho muita tranquilidade que o governo da professora Fátima, um governo honesto, que eu tenho muito orgulho disso, governo que não teve visita de Polícia Federal”, afirmou Cadu de Lula.
Robério Paulino também fez o questionamento diretamente ao candidato do União Brasil: “O candidato Allyson está sendo investigado pela Justiça Federal e pela Polícia Federal num grande esquema de superfaturamento e propinas na Prefeitura que ele geriu. Eu quero que ele explique aqui o que é isso.”
Em sua resposta, Allyson disse estar com a consciência tranquila.
“Candidato, minha consciência está tão tranquila hoje aqui igualmente a seis meses atrás, quando uma investigação foi iniciada. E qualquer político que é gestor pode e deve sim ser investigado. Candidato, seis meses de investigação. O que é que encontraram contra mim? Nada. Sabe por que não encontraram, candidato? Porque não tem”, justificou.
Robério Paulino também gerou um dos momentos que viralizaram nacionalmente, ao dizer que Allyson fica “farmando aura”.
“O candidato Allyson anda de cidade em cidade achando que vai governar o estado farmando aura, fazendo pirotecnia. o candidato Allyson infelizmente é uma fantasia, é um personagem, um ator, mas sem propósito real”, disse.
Álvaro é acusado de “destruir” Ponta Negra
Robério Paulino foi o franco atirador da noite. Distante percentualmente dos demais candidatos, segundo mostram as pesquisas, o candidato do PSOL utilizou a exposição na televisão e internet para propor um enfrentamento ao analfabetismo e demarcar suas diferenças em relação aos adversários, inclusive para criticar os problemas gerados em Ponta Negra após a engorda na praia.
“Eu queria perguntar ao candidato Álvaro Dias se ele já foi depois de uma chuva na praia de Ponta Negra. Eu vou dar daqui a pouco para ele uma galocha, que foi um presente dos moradores de Ponta Negra, candidato, para o senhor andar na sua piscina, que o senhor fez em Ponta Negra. O senhor quer destruir o estado do Rio Grande do Norte como o senhor destruiu Ponta Negra?”, perguntou Robério.
Cadu de Lula retomou o tema e citou o valor milionário investido na obra. O candidato petista também lembrou o estudo que constatou tubulações falsas e galerias bloqueadas com concreto e rochas.
“Mais de 100 milhões de reais foram gastos na engorda de Ponta Negra. O Tribunal de Contas da União detectou que canos falsos foram detectados nessa obra. E também, a areia que foi retirada foi de uma jazida que não foi licenciada. É assim que você vai governar o Rio Grande do Norte? Por que a pressa? Era só para ter um resultado eleitoral?”, perguntou.
Álvaro Dias buscou se defender e mostrou fotos de Ponta Negra antes da engorda para dizer que a obra era necessária.
“A maré encostando, destruindo o calçadão, destruindo o Morro do Careca, que é o nosso cartão postal. O Morro do Careca, candidato, estava se transformando numa grande falésia”, respondeu.
Obras inacabadas
Além da engorda de Ponta Negra, Álvaro Dias virou alvo pela lista de obras inacabadas que deixou quando foi prefeito de Natal. Uma das principais é o Hospital Municipal, inaugurado em dezembro de 2024 e até hoje ainda sem receber pacientes.
“O senhor também teve 40 e tantas obras inacabadas. O Hospital Municipal que o senhor inaugurou está há dois anos sem funcionar. Essa é a sua experiência que o senhor quer mostrar aqui? De obras inacabadas?”, criticou o professor Robério.
Já Allyson Bezerra disse que o candidato do PL estaria “nervoso”.
“Ele fica irritadíssimo quando a gente fala do tema do Hospital Municipal daqui de Natal, que ele entregou em dezembro de 2024 e tá fechado”.
Cadu de Lula voltou a relacionar Álvaro à “destruição” de Ponta Negra e citou o assunto junto ao hospital.
“Esse Álvaro Dias, o homem que destruiu o maior cartão postal da cidade de Natal, a praia de Ponta Negra, o homem que entregou um hospital que há dois anos ainda não foi inaugurado, não atendeu nenhum paciente”, apontou Cadu de Lula. O candidato do PT ainda perguntou se “o problema é seu ou do seu sucessor”.
Allysson se esquiva de responder sobre alianças com oligarquias
O ex-prefeito de Mossoró foi eleito pela primeira vez em 2018 para deputado estadual com um discurso contra as oligarquias. Oito anos depois, se uniu aos Alves e Maia para buscar chegar ao Executivo potiguar. O tema esteve presente no debate.
“Candidato Allyson, o senhor começou a sua carreira falando das oligarquias. Mas hoje, o senhor está abraçado com a oligarquia Alves, de Garibaldi Alves, com a oligarquia Maia, de Agripino Maia, e na sua chapa está Robinson Faria, bem abraçadinho com o senhor. O senhor não é uma grande mentira? O senhor falou das oligarquias e hoje está abraçado com a velha política, tudo que tem de mais velho na política do Rio Grande do Norte?”, apontou Robério Paulino.
Allyson evitou responder e mudou de assunto para citar seus feitos enquanto prefeito de Mossoró.
“Eu estou aqui hoje não para ficar falando de retrovisor, porque o meu estilo de governar, o meu jeito de governar é olhar pra frente”, se esquivou.
Allyson também foi abordado em diferentes momentos sobre a relação com Robinson Faria — um dos que citou o ex-governador foi Cadu de Lula, nos primeiros minutos do debate.
“Allyson, que acabou de falar, é o Allyson de Robinson Faria. É o Allyson que as mesmas elites que elegeram outros candidatos, que levaram o Rio Grande do Norte à derrocada, que nós reconstruímos, estão no palanque dele. Eu tenho muita tranquilidade que o governo da professora Fátima, um governo honesto, que eu tenho muito orgulho disso, governo que não teve visita de Polícia Federal, que geriu os recursos do Estado com todo cuidado, com todo zelo, nós vamos ser governador para cuidar do povo do nosso Estado”, falou.
Cadu reivindica legado do governo Fátima
O candidato da governadora Fátima Bezerra, Cadu Xavier, adotou o nome de Cadu de Lula na campanha de 2026 e foi ao debate também para reivindicar os números da gestão atual. Ele foi o secretário da Fazenda do Estado e deixou o cargo para buscar ser o sucessor de Fátima.
“Eu sou Cadu de Lula. Tenho 48 anos, 21 anos de serviço público, sou ficha limpa, participei junto com a governadora Fátima da reconstrução do Rio Grande do Norte. É importante dizer para o povo do nosso estado o que era o Rio Grande do Norte nos tempos de Robinson, a terra da violência, o estado mais violento do país, a terra dos salários atrasados. E com muito trabalho, junto da governadora Fátima, hoje o Rio Grande do Norte paga em dia seus servidores. É um dos quatro estados mais seguros do país e junto com o presidente Lula nós vamos fazer uma campanha indo a cada cantinho desse estado, mostrando para o nosso povo o que importa para a vida deles”, disse Cadu.


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