domingo, 29 de março de 2026

 

Rogério Marinho é voto vencido em derrota na CPMI do INSS

28 de março de 2026
4min
Rogério Marinho é voto vencido em derrota na CPMI do INSS
Parecer foi derrotado por 19 votos a 12, em vitória da base do governo - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
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A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS rejeitou na madrugada deste sábado (28) o parecer proposto pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), por 19 votos a 12, em vitória da base do governo. Um dos votos contrários foi o do senador potiguar Rogério Marinho (PL), que viu sua posição ser derrotada. 

 rejeição do relatório contou com votos de parlamentares da base governista, especialmente do PT. Já os favoráveis ao texto vieram principalmente do PL. 

A participação de Rogério Marinho na comissão chegou a ser questionada pela base do governo, no início dos trabalhos, em 2025, em razão da ligação do senador do Rio Grande do Norte com a gestão Bolsonaro. Marinho foi secretário especial de Previdência e Trabalho, num flagrante conflito de interesses, na avaliação de deputados governistas. A exclusão dele foi rejeitada pelo presidente da CPMI.

O relatório de Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas, incluindo ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, ex-ministros, parlamentares e representantes de entidades associativas. Um desses nomes foi o do potiguar Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). Lincoln chegou a ser preso em 3 de novembro acusado de cometer falso testemunho ao final do seu depoimento na Comissão, mas foi solto após pagar fiança. 

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Com mais de 4 mil páginas, o relatório de Alfredo Gaspar concluiu haver núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político na movimentação de bilhões de reais por meio de descontos não autorizados de aposentadorias e pensões. 

Um dos nomes mais polêmicos na lista de indiciamento — rejeitada — foi o de Fábio Luiz Lula da Silva, por suposto envolvimento com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, principal responsável pelas irregularidades apuradas.

Os pedidos de indiciamento também incluíram o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira e Carlos Lupi; além do senador Weverton Rocha, (PDT-MA), e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE).

Bolsonaro na mira

Já o líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou relatório paralelo com pedido de 201 indiciamentos, sendo 130 de forma imediata e outras 71 para aprofundamento das investigações, incluindo o ex-presidente da República. Segundo o PT, sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), uma estrutura criminosa foi montada dentro do Estado para desviar recursos de idosos e pensionistas.

De acordo com o documento, Bolsonaro seria o “cérebro” do esquema que levou ao desvio de verba de aposentados e pensionistas, com descontos automáticos nos benefícios, para financiar campanhas do ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni (Progressistas) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) explicou que Bolsonaro não apenas foi omisso, mas também agiu deliberadamente para facilitar o roubo através de decretos e medidas provisórias que assinou. 

Parlamentares petistas se manifestam – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

“É por isso que nós estamos propondo o indiciamento do senhor Jair Messias Bolsonaro. Vamos propor por improbidade administrativa e também por furto qualificado de idosos.  Jair Messias Bolsonaro é o chefe do esquema criminoso que roubou bilhões de reais dos aposentados e aposentadas“, afirmou, durante entrevista coletiva a jornalistas.

Pimenta argumentou que não seria possível um esquema de tamanha complexidade e alcance funcionar sem que o governo Bolsonaro tivesse conhecimento, sobretudo porque servidores que atuaram nas fraudes foram estrategicamente colocados em postos de comando.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-CE) reforçou a tese de que a cúpula do governo anterior tinha pleno conhecimento das irregularidades. Ele ressaltou que “toda a estrutura criminosa montada no âmbito do INSS teve inauguração se consolidou durante o governo Bolsonaro”, contando com o aval inclusive do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes.

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