segunda-feira, 9 de março de 2026

O QUE QUEREMOS NESTE 8 DE MARÇO

 

O 8 de março nasceu da luta de mulheres por direitos concretos: trabalho digno, salário justo, participação política, autonomia sobre a própria vida — e pelo direito de continuar vivendo. Ao longo do tempo, porém, seu sentido foi sendo apropriado e esvaziado. Uma data pautada na mobilização coletiva acabou transformada em um gesto simbólico, em que mulheres são apenas “parabenizadas” por serem mulheres, enquanto as estruturas de desigualdade que motivaram essa luta permanecem praticamente intactas.

É justamente contra esse tipo de esvaziamento que nosso jornalismo existe. A Agência Pública nasceu há 15 anos pelas mãos de mulheres jornalistas que acreditavam que o Brasil precisava de um jornalismo mais independente, investigativo e comprometido com a sociedade.

De lá para cá, seguimos sendo uma redação onde mulheres lideram.

Somos mulheres dirigindo a organização, coordenando áreas e projetos, investigando o poder e conduzindo coberturas decisivas para o país. Mulheres que fazem perguntas difíceis quando muita gente prefere o silêncio.

Ao longo desses anos, também colocamos no centro do debate temas que muitas vezes foram ignorados ou tratados como secundários: aborto, feminicídio, violência online contra mulheres, desigualdade de gênero e a presença feminina na política.

Hoje seguimos fazendo isso todos os dias. Temos repórteres mulheres investigando não apenas questões de gênero, mas o poder em todas as suas dimensões – seja na cobertura da crise climática na COP30, realizada por uma equipe 100% feminina, seja na coordenação de uma grande investigação transnacional sobre as Big Techs, também liderada por nossas jornalistas.

Como escreveu brilhantemente nossa diretora-executiva e cofundadora, Marina Amaral, em sua colunaneste 8 de março, não nos dê flores. Elas estão cheirando a velório.

O que queremos não são homenagens de um dia. Queremos viver.

Queremos direitos, proteção e justiça. Queremos viver sem medo de assédio, agressão ou feminicídio. Queremos que a violência contra as mulheres deixe de ser naturalizada, ignorada ou tratada como estatística.

E queremos que os responsáveis sejam expostos.

É para isso que existe o jornalismo investigativo. Na Pública, investigamos quem lucra com a desigualdade, quem perpetua a violência e quem tenta silenciar as mulheres. Nosso trabalho é tirar essas histórias da sombra e colocá-las no centro do debate público.

Neste 8 de março, em vez de flores, junte-se a nós nessa luta. Apoie o jornalismo independente da Pública e nos ajude a seguir investigando, denunciando e cobrando mudanças.

Porque combater a violência contra as mulheres também passa por revelar aquilo que muitos preferem manter escondido. ✊

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