sábado, 23 de dezembro de 2017

A Venezuela expulsa o embaixador do Brasil

por Redação — publicado 23/12/2017 19h59, última modificação 23/12/2017 20h29
O diplomata Ruy Carlos Pereira foi declarado “persona non grata” por Delcy Rodríguez, presidente da Assembleia Constituinte do país vizinho

Agência Senado
A Venezuela expulsa o embaixador do Brasil
Pereira em sabatina no Senado.
Neste sábado 23, a Venezuela declarou “persona non grata”o embaixador do Brasil, Ruy Carlos Pereira, o que equivale a uma expulsão do país por um período inicial de 24 a 72 horas. O anúncio foi feito por Delcy Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional Constituinte venezuelana. O diplomata se encontra no Brasil, onde passa o Natal e o Ano Novo. O Itamaraty, em nota, afirmou que Brasília aplicará as medidas de reciprocidade se a decisão for confirmada pelo governo venezuelano.
Rodríguez  anunciou o ato em uma transmissão pela VTV, canal estatal: "No âmbito das competências da Assembleia Nacional Constituinte, em que está justamente a soberania, nas nossas bases de comissão, decidimos declarar 'persona non grata' o encarregado de negócios do Canadá, e declarar 'persona non grata' o embaixador do Brasil, até que se restitua o fio constitucional que o governo de fato vulnerou, no caso deste país-irmão".
Antes de declarar o embaixador brasileiro “persona non grata”, a presidente da Assembleia Constituinte discorria sobre a perda do liame democrático no Brasil. Citou dois exemplos: a cláusula de barreira aprovada pelo Congresso brasileiro que impede a participação eleitoral de partidos pequenos e o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

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A presidente da Assembleia Constituinte também expulsou um diplomata canadense (Foto: Divulgação)
“Vimos algumas posições minoritárias no nível internacional. Essa é uma informação para este país, não para outros governos. O caso a que você se refere, especificamente, do Brasil, neste ano, depois do golpe de Estado que houve no Brasil, contra a presidente Dilma Rousseff, foi aprovada no Congresso a chamada cláusula de barreira, que impede justamente que partidos pequenos possam ter participação eleitoral”, respondeu a um dos entrevistadores da VTV.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse que a decisão confirma o caráter “autoritário” da administração do vizinho.  "O governo brasileiro”, afirma o texto, “tomou conhecimento de declaração de ex-chanceler venezuelana de que o governo desse país teria decidido declarar o embaixador do Brasil em Caracas “persona non grata”. Caso confirmada, essa decisão demonstra, uma vez mais, o caráter autoritário da administração Nicolás Maduro e sua falta de disposição para qualquer tipo de diálogo. O Brasil aplicará as medidas de reciprocidade correspondentes".
Na sexta-feira 22, o Brasil entregou a presidência do Mercosul ao Paraguai. Na cerimônia, exigiu da Venezuela, que está suspensa do bloco, o respeito aos direitos humanos. 

André Singer: É inaceitável o partidarismo da Justiça que blinda o PSDB

 
Jornal GGN - O cientista política André Singer publicou artigo na Folha deste sábado opinando que "não é possível (...) aceitar que o rigor da lei recaia de um lado político só. O desequilíbrio do que aconteceu nos últimos quatro anos é mais do que evidente." O texto faz um paralelo entre as investidas do "Partido da Justiça" contra o PT e PSDB e aliados. Na visão de Singer, as acusações contra os tucanos são tão escandalosas quanto as que recaem sobre o PT, mas só os primeiros parecem imunes.
 
"Ao contrário do ocorrido com a nação petista, no tucanistão não houve sequer uma fase espetacular, dessas que têm nomes curiosos e geram centenas de minutos na TV. Não se conhece ninguém preso. Não há uma figura importante do peessedebismo que tenha sequer sido convidada a depor sobre o tema. Houve apenas a ação solitária de Joesley Batista, que ocasionou a temporária cassação de Aécio Neves, já revogada, e a prisão de sua irmã, também revogada", observou.
 
 
Por André Singer

Meirelles e a canoa furada: não há espaço para o continuísmo golpista

Brasil 247
Tereza Cruvinel

Meirelles e a canoa furada: não há espaço para o continuísmo golpista

 
22 de Dezembro de 2017




       O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ocupou o programa de TV do PSD nesta quinta-feira para falar bem de si mesmo. Numa demonstração espantosa de miopia política e ilusionismo, ele quer ser o candidato do governo a presidente em 2018 e acha que pode ter alguma chance.  É um caso de salto voluntário na canoa furada.  A vida real e as pesquisas mostram que o sinal está fechado para qualquer forma de continuísmo golpista/governista, e este sentimento prevalecerá,  ainda que o candidato favorito, o ex-presidente Lula, seja impedido de concorrer.  Evidência disso são o favoritismo de Lula, seguido de Bolsonaro, a rejeição abissal a Michel Temer e a ampla reprovação a seu governo e aos partidos que o apoiam. A opção pela mudança e a disposição para dizer não ao golpe só não serão confirmadas nas urnas se for imposta alguma variante de golpe.         
         Diferentemente de Geraldo Alckmin,  que se afastou de Temer, embora deseje o horário eleitoral do PMDB, Meirelles não falou em seu chefe no programa do PSD. Mas afirmou, em conversa com jornalistas,  que ele pode ser um bom cabo eleitoral.   Se acredita mesmo nisso,  até o mercado, que o bajula, vai assinalar que lhe falta o mínimo de tino político para aspirar à Presidência.   No programa do PSD, sem declarar-se candidato,  apresentou-se como salvador da lavoura,  capitalizando a queda da inflação e dos juros mas omitindo a profundidade que a recessão alcançou desde que se tornou ministro da Fazenda, bem como o agravamento da situação fiscal, expressa no dificit de R$ 159 bilhões previsto para este ano e para 2018.  Insistiu na ideia de uma terceira via entre Lula e Bolsonaro, ao dizer que deseja o “reencontro dos milhões de brasileiros que são maioria e que não estão nos extremos do ponto de vista político e ideológico".
         O problema, tanto para Meirelles como para Geraldo Alckmin, é que  matematicamente a maioria dos votos disponíveis já migraram para um polo e para o outro, como demonstra Marcos Coimbra,  diretor do Instituto Vox Populi, em recente análise na revista Carta Capital.   Ele recorda que Lula e Bolsonaro juntos, dependendo do instituto que fez a pesquisa,  já abocanharam  entre 50% e 60% dos votos. Somando-se a este contingente  pelo menos 15% de votos nulos e brancos, uma estimativa até moderada diante da rejeição popular aos políticos e da descrença no sistema,  teremos um total de 65% a 75% de votos com destino certo.   E como Lula e Bolsonaro ainda podem crescer, diz Coimbra, isso significa que serão cada vez  menores “as chances de terceiras vias”.   Faltando 10 meses para a eleição, os votos disponíveis para a pescaria já estão muito reduzidos, não perfazendo 50%.   Daí que, nas condições atuais, não existe a menor possibilidade de que um candidato governista, ligado a Temer, defensor do golpe e de suas políticas, chegue ao segundo turno.
         Por isso mesmo as forças governistas empinam balões de ensaio e procuram no caldeirão dos casuísmos alguma fórmula que favoreça o continuísmo golpista. Entre elas, esta que parece delírio mas frequenta algumas cabeças: a da candidatura do próprio Temer, para governar sob um novo sistema de governo, o semipresidencialismo, sob o argumento de que é preciso evitar o perigo dos extremos e concluir a transição para outro modelo político.
         Hoje mesmo, na conversa de final de ano com os jornalistas, ele mais uma vez voltou a falar em semipresidencialismo ao dizer que governou informalmente sob este sistema “sem perder a autoridade”.  A falar na coisa, trata ele de colocar a palavra em circulação, de despertar interesse sobre seu significado e quem sabe conquistar apoios para uma variante golpista.
           Meirelles, rejeitado por 75%  dos entrevistados pela recente pesquisa Ipsos,  insistindo na candidatura sem futuro corre o risco de perder seu único trunfo, o aval do mercado como gestor da agenda do golpe

O país dos canalhas – Capítulo 5 – Reunião ministerial

O Jornal de todos Brasis


Sai do apê de Amnércio Naves às cinco da matina, atochado de tudo quanto é droga. Logo eu, Philip Marlowe, criação imortal de Raymond Chandler, que jamais havia me rebaixado tanto, nem quando levava porrada no submundo de Los Angeles.
Saí de braço dado com Amnércio, que berrava a plenos pulmões (como escrevem os gaiatos que pensam que sabem escrever). Berrava assim:
– Cidade maravilhosa/ cheia de encantos mil/ cidade maravilhosa/ coração do meu Brasil!... E tal e coisa. Um saco!
– Adonde vamos, parça? – perguntei.
– Simbora pra Brasília – respondeu o Naves. – Cadê o Pó?
– Pó a essa hora, Amnércio?
– Não é pó pó, cara – respondeu. – É o piloto do helicóptero. O Toninho Pó.
– Ah, entendi – respondi, entendendo que naquelas quebradas todo mundo tinha alguma coisa a ver com pó. – Tá ali na esquina, chapando.

COMEÇA A REUNIÃO
Demorou pra caramba. Não a reunião, mas chegar lá, no Palácio dos Jaburus-Carecas. Antes tivemos de descer em 33 fazendas, deixando ou carregando 500 quilos de pó em cada uma, todas na rota Rio-Minas-São Paulo-Brasília, se a esse périplo irregular se pode chamar rota. Talvez fosse melhor derrota.
Chegamos à capital federal nacional (sic) 28 horas depois, bem na hora da reunião ministerial das 10, que começaria mais ou menos às 11,30, depois que todos estivessem bem servidos de pó, haxixe, crack, flores de papoula ao curry, folhas de coca imersas em azeite extravirgem, cogumelos fritos em banha de porco, uísque, vodka, kwass, guaraná diet e suco de alho negro para os mais depauperados ou subnutridos.
Entreguei minha credencial ao parça da portaria, um cartãozinho com a imagem holográfica de uma flor de papoula vermelhusca. Ele cheirou e mandou entrar.
Amnércio foi logo entrando sem pedir licença. Da casa, ele. Dos mais íntimos. De cama e mesa, acho.
O salão de reuniões, para quem não sabe, é enorme, mais comprido que largo, com guardas fantasiados de jaburu careca (chapéu de jaburu, fraque à moda jaburu, peitilhos de penas de jaburu etc.) e armados de submetralhadoras, postados de dois em dois metros. Na lapela, um botãozinho com a flor de papoula holográfica.

CONTINUA A REUNIÃO
O anfitrião entrou capengando e carregando uma bolsinha florida, decerto oferta da madama anfitriã. Da bolsinha saía um tubo que entrava pela calça dele, anfitrião. Pelos esgares, olhares e carrancas, percebi que as coisas andavam mal para o lado do anfitrião. E que todos torciam para que o anfitrião piorasse.
O anfitrião sentou de banda.
O anfitrião tirou um lenço do bolso e passo na testa molhada de suor.
O anfitrião não andava bem.
Todos torciam para que o anfitrião andasse pior.
O anfitrião era um usurpador.
O anfitrião lera “O príncipe”, de Maquiavel, e conhecia as regras do jogo.
O anfitrião usava as regras do jogo a ser favor.
O país se fodia? O anfitrião não se fodia.
O anfitrião só fodia os inimigos e os amigos dos inimigos e os parentes dos inimigos e os conhecidos dos inimigos – ou seja, 95% da população.
O anfitrião era foda.
O anfitrião continuaria sendo foda enquanto vivesse.

TERMINA A REUNIÃO
O mordomo deu dois tiros na cabeça de um guarda para chamar a atenção.
Todos olharam para ele, que perguntou:
– Posso servir o prato principal?
O anfitrião disse que podia.
Os garçons entraram em fila, cada um trazendo uma criança nordestina assada numa bandeja de prata.
Todos aplaudiram.
Os garçons trincharam as crianças assadas e serviram a ministros e convidados.
Todos provaram e disseram que estava uma delícia.
Amnércio Naves perguntou se os nordestinos não iam ficar com raiva.
O anfitrião disse que não, tinha nordestino demais.
O ministro da fazenda disse que ajudava a diminuir o déficit orçamentário.
O anfitrião mandou servir a sobremesa:
– Que entrem os marines!!!
Os marines entraram transportando nas costas a sobremesa.
A sobremesa era pudim de folhas de coca com cocada baiana enfeitado com flores de papoula, importadas diretamente do Afeganistão.
Continuar a reunião depois da sobremesa?
Nem pensar: depois da sobremesa era a hora sagrada da sesta.
Então todos se retiraram para os quartos de hóspedes.
Em cada quarto havia: um jaburu careca empalhado, um narguilé atochado de pó ou haxixe (à escolha) e seis belas garotas seminuas (uma negra, uma mulata, uma índia, uma nissei, uma morena e uma loura) para que cada convidado escolhesse sua preferida.
Democracia racial é isso.
É assim que se constrói um país verdadeiramente democrático.

Como não estou acostumado com tanta fartura, escolhi as seis.

Com maioria no Parlamento, separatistas catalães vão indicar presidente


Foto: Divulgação
Por Marieta Cazarré - Correspondente da ABr
Da Agência Brasil
Os separatistas conseguiram conquistar 70 dos 135 assentos no Parlamento catalão. Os votos são dos três partidos independentistas: o Juntsxcat (Juntos pela Catalunha), a ERC (Esquerda Republicana) e o partido de extrema-esquerda CUP (Candidatura de Unidade Popular).
O partido mais votado foi o Ciudadanos, que é contra a independência e, sozinho, conquistou 37 assentos no Parlamento. No entanto, Inés Arrimada, a jovem líder do Ciudadanos, como não conquistou maioria, não poderá ser indicada à presidência da Catalunha.
Agora, com maioria separatista, a crise na Catalunha deve continuar, mas ainda não se sabe exatamente o que irá ocorrer.
O partido Juntos pela Catalunha, que foi o segundo mais votado e conquistou 34 assentos, deverá indicar o nome de Carles Puigdemont, que está exilado na Bélgica, para reassumir a presidência. No entanto, ele pode ser preso assim que pisar no país.
Após a divulgação do resultado das eleições, Puigdemont afirmou que a “República catalã derrotou a monarquia do Artigo 155”, fazendo referência à intervenção do Governo Central espanhol na região. Depois da tentativa de independência, Mariano Rajoy acionou o artigo, que suspendeu temporariamente a autonomia da região, destituiu Carles Puigdemont e cerca de 20 políticos envolvidos no processo de independência e convocou novas eleições.
Oriol Junqueras, líder do partido Esquerda Republicana, o segundo com maior peso entre os independentistas e que conquistou 32 assentos no Parlamento, também pode ser indicado ao cargo. No entanto, Junqueras está preso cautelarmente e, caso seja condenado, não poderá assumir.
A expectativa agora é pelo pronunciamento do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, que está previsto para as 14h (horário local). O PP (Partido Popular) de Rajoy conquistou apenas três assentos no Parlamento catalão e ficou praticamente sem representatividade.

A entrevista de Lula à mídia - 1, por Luis Nassif

Lula concedeu entrevista para a imprensa agora de manhã, no Instituto Lula. Participaram 14 jornalistas da mídia nacional, de blogs e de agências internacionais. Ao lado, Fernando Haddad.
Lula abriu a entrevista afirmando que o Brasil só vai voltar à normalidade quando o povo eleger o presidente e montar um governo com a legitimidade que apenas um eleito tem.
Sobre a condenação em janeiro e na eventualidade uma prisão.
Minha condenação será a negação da Justiça. A Justiça vai ter que fazer esforço monumental para transformar mentira em verdade e para julgar pessoa que não cometeu crime. A sentença do juiz Moro, aos olhos de centenas de juristas, é quase uma piada. Tenho tranquilidade de ser absolvido. Eu peço uma única prova.
Estamos vivendo anomalia jurídica e política.
Falando do apartamento.
Começou com uma mentira de um jornal e uma revista. A mentira foi transformada em inquérito pela Polícia Federal. O resultado é mentiroso e foi enviado para o Ministério Público. O MP mentiu e o Moro aceitou. Tudo teria sido resolvido se Moro tivesse feito papel de juiz.
O problema é que o processo todo está subordinado a uma imagem pública que se estratificou. Eles estão sem rota de fuga. Mentiram e não tem como sair, nem a imprensa, a TV, rádio, jornal. Moro está em situação muito delicada.
A única chance que tem é pedir provas.
Não é possível alguém ser apontado como dono de uma coisa que não é dono. Tem que ter algum documento.
Tudo baseado na grande mentira do Power Point montado pelo Dallagnol.
São centenas de delações e até agora não existe uma única prova.
Conheço dezenas de casos de pessoas que, na delação, eles perguntavam: e o Lula, ele sabia?
Duvido que, na história do Brasil, tenha tomado as atitudes para combater a corrupção que nós tomamos.
O fato de facilitar o combate à corrupção exige responsabilidade. É para isso que pessoas são concursadas, têm estabilidade, ficam eternamente nos cargos., É uma carreira importante de Estado, com pessoas com QI acima da média. Mas precisa ter caráter também.
Por isso estou muito tranquilo para o dia 24.
Eu prefiro a condenação moral dos que me condenaram, a grande imprensa que mentiu.
Imagine se o Tacla Duran tivesse denunciado o PT. Nos seríamos capa, contracapa.
Há conluio para fazer com que mentira vença. Mas tenho certeza absoluta de que a inocência vai vencer. De um ser humano que só tem um problema nesse momento: ter mais chances de vencer as eleições que qualquer outro.

A entrevista de Lula à mídia - 2, por Luis Nassif

Sobre o pacto de poder na crise
Não existe orçamento mais competido do que este que Temer está gastando. Todo dinheiro cortado da educação, saúde, é para comprar apoio.
Não faz muito tempo, importante saber as condições que cheguei na presidência. Não tinha um economista neste país que não dissesse que o país quebrado. Eu tinha um grupo de 30 economistas, e com gente muito importante. Ás vezes falava para o pessoal>: como querem que eu seja candidato se dizem que o país quebrado.
Inflação estourando, dependência do FMI.
Não era situação fácil. Minha chance de ganhar agora é porque visível ao povo que posso consertar o país.
Tem coisa em economia, que os yuppies do mercado não fala. É preciso que quem esteja falando de economia tenha credibilidade junto à sociedade. Há um misto de cumplicidade da seriedade de quem está falando com a seriedade de quem está fazendo.
Se não tem credibilidade política e não faz coisa séria, não dá certo. E se tem credibilidade, mas não tem a política, também.
Em qualquer comparação, o Brasil está entre os 10 do mundo. País com esse potencial extraordinário de mercado interno, 16 mil km de fronteira seca com toda América Latina, potencial enorme de cooperação com continente africano, porque mar é solução.
Tem que ter governo que pensa o Brasil, pense estrategicamente modelo de desenvolvimento, o que é possível fazer. E não tem como pensar o Brasil sem pensar no povo brasileiro.
Não pode pensar em projeto estratégico virando as costas para quem está perto de você. A relação comercial do Brasil com países ricos é muito estável. Com a Argentina, quando chegamos, era US$ 7 bi. Chegou aUS$ 39 bi, demonstrando espaço de crescimento onde as pessoas mais precisam comprar de você do que vender. Cabe a quem governa o país pensar nessas coisas.
Não pode ser governante e pensar em vender para pagar dívidas. Quando acabar você não tem patrimônio do Estado, está zerado. Não pode ter qualquer participação na indução de políticas públicas.
Sou contra o estado empresarial, todo mundo sabe. Colocar cara concursado, com estabilidade para ser patrão, é muito ruim. Mas estado não pode perder seu papel de indutor da economia. É o estado que pensa estrategicamente qual a parte do Brasil que deve receber uma universidade, uma indústria, um centro de pesquisa, uma escola técnica.
E o estado pode não só pensar, como induzir que bancos de desenvolvimento possam garantir esses investimentos.
Como resolve o problema do Estado ter poder de influir na economia, se não tem o instrumento.
Na crise de 2008 liguei para o Obama perguntando se tinha bancos públicos. E contei como era o Brasil, como BNDES, CEF, BB. Ele: nem fala em bancos públicos aqui. A conclusão é que nós tivemos uma solução mais rápida para indústria automobilística do que eles nos EUA.
Falam da dívida pública brasileira, mas todas cresceram porque todos os Estados, na época da crise, colocaram recursos para vencer a crise.
Não estou dizendo que é facil, mas acho que tem outras formas de fazer economia crescer.
1. Estado não pode perder sua capacidade de ter influência nas decisões econÕmicas do país.
2. Estado não é neutro, é indutor, porque tem milhões de brasileiros que necessitam da voz do Estado e dos gestos. Quem não precisa do Estado são os que mais mamam no Estado. São eles que estão fazendo o Temer o desmonte dos direitos dos trabalhadores. Querem que sobre mais recursos para eles.
Quando se fala no teto da Previdência Social, converse com a Laura Tavares, filha da Maria Conceição, especialista em Previdência social.
Se a Presidência tem problema de ajuste, não tem problema fazer ajuste. Envolve todos, trabalhadores, empresários, estado e discuta. E, através da negociação, procura ajustar.
O problema é que quando nós criamos, na Constituição de 88, a aposentadoria dos trabalhadores rurais, arrumamos o dinheiro. Foi Pedro Malan que introduziu a ideia de colocar a Previdência em cima do orçamento da União.
Briguei muito com o Guido para tirar.
No mundo do trabalho, se precisar ajuste na CLT faz trabalhando, faz contrato coletivo de trabalho. O que não pode é destruir um marco legal que dá sustentabilidade aos mais fragilizados e achar que trabalhador e empresário, em uma mesa de negociação, vão estabelecer a normalidade negocial.
No Brasil tem meia dúzia de sindicatos em condições de negociar,.
Estou convencido que é possível ganhar eleições, juntar um grupo de pessoas sérias, alguns empresários que pensam o Brasil, que apostam na produtividade, no Brasil, que quer indústria forte. É possível convencer milhares de pequenos empreendedores individuais para construir uma economia na base da produtividade.
Se tem governo que acredita no que está fazendo, quando empresa como Veja, Estadão, resolve montar parque gráfico novo, contratar empréstimo, o que estão dizendo: estão fazendo dívida porque acreditam no crescimento do jornal e vai ganhar mais dinheiro.
Vale para o Estado. Se elaborar política econômica e não tenho dinheiro para o investimento, tenho capacidade de me endividar, o compsulsório, parte do dinheiro das reservas. Vou fazer 200 bilhões de dólares em investimentos prioritários e o país vai crescer e voltar a ser competitivo.
Agora, se eu não tenho projeto, casei com a dona Marisa e para fazer dinheiro vou vender a geladeira, o bule. É o que estão fazendo para Brasil.
A incapacidade de pensar aumentou a sede mercadológica deles. Poderiam ser sócios das Casas Bahia. Não tem noção do que foi a construção da indústria naval no Brasil. Tratam a Petrobras como empresa de petróleo. É muito mais. É gas, petroquímica, força na indução de pesquisas, no estímulo às pequenas e médias empresas.
Se tiver projeto para país.
É por isso que sou confiante.