sábado, 18 de julho de 2026

 

Sesap alerta para intoxicação por peixe contaminado no RN

17 de julho de 2026
3min
Sesap alerta para intoxicação por peixe contaminado no RN
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A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) voltou a alertar a população para os riscos da ciguatera, uma intoxicação alimentar associada ao consumo de peixes marinhos contaminados por ciguatoxinas. O aviso ocorre em meio ao aumento das notificações da doença no estado, que concentra a maior parte dos registros do país. Segundo dados da pasta, o Rio Grande do Norte contabilizou 141 casos até junho deste ano, número superior ao total registrado durante todo o ano de 2025.

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De acordo com o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, a ciguatera é causada por uma neurotoxina produzida por microalgas marinhas que vivem em áreas de recifes e corais. Essas toxinas entram na cadeia alimentar quando são ingeridas por peixes menores e acabam se acumulando em espécies maiores e carnívoras, consumidas pela população.

Entre os peixes mais frequentemente associados aos casos registrados no Rio Grande do Norte está o pexide, nome popular da arabaiana, além de espécies como barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, dourado e pescada-branca. A Sesap destaca que a presença da toxina não está restrita a uma única espécie, mas tende a ocorrer com maior frequência em peixes de grande porte e predadores.

Um dos principais desafios para a prevenção é que a ciguatoxina não altera a aparência, o cheiro nem o sabor do pescado. Além disso, ela resiste aos métodos tradicionais de preparo, permanecendo ativa mesmo após o cozimento, congelamento, salga ou defumação. As maiores concentrações costumam estar na cabeça, nas vísceras e nas ovas dos peixes contaminados.

Os sintomas podem surgir entre poucos minutos e até 48 horas após a ingestão do alimento. As manifestações iniciais geralmente incluem dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia. Também são comuns coceira intensa, dores musculares, fadiga, fraqueza, tontura, dor de cabeça e sensação de gosto metálico na boca.

Um dos sinais mais característicos da doença é a chamada inversão térmica, quando a pessoa passa a sentir temperaturas quentes como frias e vice-versa. Dormência ou formigamento na língua, mãos e pés também podem ocorrer, indicando comprometimento neurológico provocado pela toxina.

Em situações mais graves, a intoxicação pode atingir o sistema cardiovascular, provocando queda da pressão arterial e redução dos batimentos cardíacos. Não existe antídoto específico para a ciguatera. O tratamento é baseado no controle dos sintomas, hidratação e acompanhamento médico.

A orientação da Sesap é que qualquer pessoa que apresente sintomas após consumir pescado procure imediatamente um serviço de saúde. Sempre que possível, o paciente deve informar qual espécie foi consumida e preservar eventuais sobras do alimento para auxiliar na investigação epidemiológica e sanitária do caso.

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