Tarifaço de Trump pressiona chapa bolsonarista no RN

A aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros por parte do governo dos Estados Unidos tem pressionado a chapa de Álvaro Dias (PL) no Rio Grande do Norte. O tema é explorado por adversários, como Cadu Xavier (PT), que cobrou um posicionamento dos pré-candidatos bolsonaristas a respeito do assunto.
O governo dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (15) a decisão de aplicar tarifas de 25% contra produtos brasileiros, como resultado da investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
Na quinta (16), um dia após o anúncio das tarifas, a Quaest divulgou uma pesquisa que mostrou que a maioria dos brasileiros atribui a Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL, a responsabilidade pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos
Já na sexta (17), enquanto viajava a Mossoró para anunciar a ex-deputada Larissa Rosado (PSB) como vice, Cadu Xavier divulgou um vídeo nas redes sociais em que disse temer prejuízos à economia potiguar com o tarifaço.
“Mais um tarifaço do governo americano patrocinado pelo bolsonarismo, que impacta diretamente a economia do nosso estado. Estou aqui rumo ao Oeste, aqui fica a cadeia do sal. O Rio Grande do Norte é o maior produtor de sal do país. São mais de 70 mil empregos ameaçados por essa medida do governo americano, que tem o patrocínio, tem o carimbo do bolsonarismo. Queria saber como é que pensam os bolsonaristas do nosso estado, inclusive senadores, pré-candidatos ao governo, sobre essa medida”, questionou.
Ainda na quarta (15), a senadora Zenaide Maia (PSD), pré-candidata à reeleição na chapa de Allyson Bezerra (União), evitou entrar diretamente na disputa eleitoral, mas defendeu uma posição firme na soberania nacional.
“Soberania não se negocia. Os EUA confirmaram tarifas de até 25% sobre mais de 4 mil produtos brasileiros, de açúcar a ferro-gusa, usando até o Pix como pretexto. Diplomacia ativa, sem confronto e sem recuo, mas também sem concessões indevidas”, escreveu, em posicionamento nas redes sociais.
Parlamentares bolsonaristas, como os deputados General Girão e Sargento Gonçalves, ambos do PL, buscaram atribuir a responsabilidade das tarifas ao governo Lula, mas não houve posicionamento público do pré-candidato a governador, Álvaro Dias.
Em nota, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que o governo dos EUA adota “procedimentos unilaterais” e que “não há justificativa para a adoção de tarifas contra os produtos brasileiros”. Ele também condenou as declarações do Secretário de Estado Marco Rubio a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil, classificando-as como “inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro.”
“Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o Chefe de Estado de um país amigo. Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações. Cito, como exemplo, demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, declarou o chefe do Itamaraty.
Já o senador Rogério Marinho (PL), um dos líderes políticos que apoiam a chapa bolsonarista no Rio Grande do Norte e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência, tentou tirar na quinta-feira a responsabilidade do bolsonarismo sobre o caso.
“O ministro Mauro Vieira envergonha o Itamaraty e sua longa tradição de atuar como órgão de estado. A declaração de hoje insiste na mentira de que as tarifas são responsabilidade da oposição. O chanceler esconde que 85 países e Hong Kong estão sob investigações comerciais dos EUA, alcançando cerca de 98% da economia mundial fora do território americano. O problema do Brasil é que quem deveria negociar, resolveu fazer da questão um palanque eleitoral. Intensificou os ataques contra o presidente americano, forçando a represália comercial. Lula, na sua narrativa mentirosa contra Flávio, forçou o pênalti. Joga sujo como sempre”, afirmou Marinho.
Pesquisa mostra que brasileiros vêem culpa do bolsonarismo
O levantamento da Quaest foi às ruas entre os dias 10 e 13 de julho e entrevistou 2.004 eleitores, às vésperas da publicação da decisão do governo Trump. Questionados se concordam com Lula, que acusou Flávio de ter pedido o tarifaço a Trump, ou se concordam com o senador ao dizer ter solicitado ao norte-americano que não taxasse o Brasil, 51% endossam a versão de Lula, enquanto 30% se alinham à alegação de Flávio.
Segundo o levantamento, 42% afirmam que o tarifaço aumenta sua vontade de votar em Lula (eram 39% em junho). Em segundo lugar vem Flávio, com 27% (eram 30%), enquanto 23% mencionaram outros candidatos (eram 23%) e 8% não sabem ou não responderam.


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