quinta-feira, 25 de junho de 2026

 

Crítico da engorda hoje, Allyson silenciou durante controvérsias sobre a obra

6 de junho de 2026
5min
Crítico da engorda hoje, Allyson silenciou durante controvérsias sobre a obra
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Quando o licenciamento ambiental da engorda de Ponta Negra era questionado, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (UNIÃO) não se pronunciou. Quando surgiram disputas judiciais, denúncias e alertas de especialistas sobre riscos e falhas no projeto, também não. A crítica pública do prefeito de Mossoró à obra veio apenas agora, depois que os problemas de drenagem e os alagamentos na faixa de areia transformaram o principal cartão-postal do Rio Grande do Norte em notícia nacional.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta semana, Allyson afirmou que o problema da intervenção em Ponta Negra não foi a engorda da praia em si, mas a forma como a obra foi executada. Citando apontamentos do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU), o ex-prefeito falou em “drenagem falsa”, galerias bloqueadas, riscos ambientais e desperdício de recursos públicos.

“Não se engana a natureza e principalmente não se engana o povo”, declarou o gestor mossoroense, que desponta entre os nomes cotados para disputar o Governo do Estado em 2026.

A manifestação, entretanto, chama atenção pelo momento em que ocorre.

A obra de engorda de Ponta Negra esteve no centro de um dos debates públicos mais intensos dos últimos anos no Rio Grande do Norte. O empreendimento foi alvo de sucessivos questionamentos envolvendo licenciamento ambiental, impactos sobre o Morro do Careca, intervenções na área costeira, ações judiciais, recomendações de órgãos de controle e divergências entre especialistas sobre aspectos técnicos do projeto.

Ao longo desse processo, pesquisadores, entidades ambientais, Ministério Público e setores da sociedade civil travaram uma disputa pública em torno da obra. A discussão extrapolou os limites da engenharia e passou a envolver questões relacionadas à preservação ambiental, à transparência administrativa e ao planejamento urbano da capital.

Apesar da dimensão do debate, Allyson Bezerra não ocupou espaço relevante nessas discussões. Não houve manifestações públicas de destaque quando o licenciamento era contestado, quando as ações judiciais buscavam interferir nos rumos da obra ou quando especialistas levantavam preocupações sobre seus impactos e condicionantes técnicas.

Agora, com imagens de alagamentos circulando nacionalmente e relatórios apontando problemas na drenagem da área aterrada, o ex-prefeito passou a fazer críticas contundentes à condução do empreendimento.

A mudança de postura levanta uma questão política inevitável: por que o silêncio diante dos alertas e controvérsias que acompanharam a obra desde sua concepção e a manifestação apenas quando os problemas já estão instalados e amplamente expostos?

No vídeo, Allyson afirma que uma obra dessa magnitude deveria ter resolvido primeiro o sistema de drenagem antes da ampliação da faixa de areia. Também critica o que classifica como falhas de planejamento e execução, além de citar prejuízos para o turismo e para a imagem do estado.

Parte das críticas apresentadas agora, porém, dialoga com preocupações que já eram levantadas durante a execução da obra. Os debates sobre drenagem, impactos ambientais, licenciamento e fiscalização não surgiram com os recentes alagamentos. Eles acompanharam diferentes fases do projeto e motivaram embates públicos que se estenderam por meses.

Nesse contexto, a manifestação do ex-prefeito de Mossoró se insere também no cenário de disputa política que antecede as eleições de 2026. Ao assumir posição crítica diante de um problema que ganhou grande visibilidade, Allyson amplia sua presença em um debate que já mobilizava instituições, especialistas e agentes políticos muito antes da crise atual.

Mais do que discutir a validade das críticas feitas agora, a questão que permanece é outra: qual foi o papel das lideranças políticas diante dos alertas apresentados ao longo dos últimos anos?

A resposta ajuda a compreender não apenas os problemas enfrentados atualmente em Ponta Negra, mas também como atores que pretendem governar o estado se posicionam, ou deixam de se posicionar, diante de temas de grande interesse público enquanto eles ainda estão em disputa, e não apenas depois que seus efeitos se tornam evidentes.

Ao concentrar sua fala nos problemas já materializados, o vídeo de Allyson Bezerra deixa de abordar um aspecto central da história da engorda: o longo percurso de controvérsias, questionamentos técnicos e disputas institucionais que antecedeu a crise atual. E é justamente nesse intervalo entre os alertas e a reação tardia que reside uma das questões mais relevantes para o debate público.

 

“Vai cair a máscara”, diz Cadu ao mirar bolsonarismo e oligarquias no RN

23 de junho de 2026
4min
“Vai cair a máscara”, diz Cadu ao mirar bolsonarismo e oligarquias no RN
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O pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier, elevou o tom contra os adversários na corrida eleitoral de 2026 e afirmou que a campanha servirá para revelar à população “quem é quem” na disputa estadual. Em entrevista concedida a jornalistas independentes de todo o país, organizada pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Cadu associou seus principais concorrentes ao bolsonarismo e às oligarquias tradicionais do estado, enquanto apresentou sua candidatura como representante do campo progressista e do projeto liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vai cair a máscara, vai cair o chapéu daqueles que estão tentando enganar o povo do nosso estado”, afirmou o petista ao comentar os futuros debates eleitorais.

A entrevista integrou o projeto Barão nas Eleições 2026 e reuniu perguntas de jornalistas da Agência Saiba Mais, Blog do Barreto, Brasil 247, CartaCapital, Diário do Centro do Mundo (DCM), ICL Notícias, Fórum e TVT.

Ao longo de mais de uma hora de conversa, Cadu buscou consolidar sua identidade política como sucessor do projeto da governadora Fátima Bezerra (PT), mas também procurou apresentar uma marca própria para uma eventual gestão.

O Rio Grande do Norte que cresce com gente feliz”, resumiu, ao definir o conceito que pretende levar à campanha.

Três projetos em disputa

Em uma das declarações mais contundentes da entrevista, o ex-secretário estadual da Fazenda afirmou que o cenário eleitoral potiguar está dividido entre três campos políticos.

De um lado, segundo ele, estaria “o time de Lula”, representado por sua pré-candidatura. Do outro, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, que classificou como representante do bolsonarismo. E, numa terceira frente, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, a quem associou às oligarquias tradicionais e também à direita.

“Tem o Cadu de Lula, o Álvaro de Bolsonaro e o Allyson das oligarquias e do bolsonarismo também. Eu tenho dito que ele é um bolsonarista enrustido”, declarou.

A fala reforça uma estratégia que deve marcar sua campanha, nacionalizar o debate e transformar a disputa estadual em um capítulo da polarização entre o campo progressista e a extrema direita.

Lula como eixo central

Durante toda a entrevista, Cadu vinculou seu projeto político à reeleição do presidente Lula e afirmou que a principal missão do grupo governista no Rio Grande do Norte será ampliar a votação do petista em 2026.

O Rio Grande do Norte tem uma missão muito importante na eleição nacional. Em 2022, dos dois milhões de votos de vantagem de Lula no Brasil, 500 mil vieram daqui”, destacou.

Segundo ele, a próxima eleição presidencial terá relevância histórica.

A reeleição do presidente Lula em 2026 é a eleição mais importante que ele já disputou.

Ao comentar o crescimento da extrema direita, o pré-candidato defendeu que o campo progressista dialogue principalmente com a juventude, apresentando os impactos concretos das políticas implementadas pelos governos petistas no Nordeste.

É preciso fazer a juventude entender o que era o Nordeste antes dos governos do PT e o que o Nordeste é hoje.”

Defesa do legado de Fátima

Questionado sobre como pretende equilibrar continuidade e renovação, Cadu afirmou ter orgulho do legado construído pela governadora Fátima Bezerra e disse que sua candidatura nasce da necessidade de aprofundar transformações iniciadas em 2019.

Entre os principais resultados destacados por ele estão a recuperação fiscal do estado, a redução da violência, a ampliação dos investimentos em infraestrutura hídrica e a geração de empregos.

Na área da segurança pública, citou a queda dos índices de criminalidade e afirmou que o Rio Grande do Norte deixou de ser um dos estados mais violentos do país para se tornar uma das unidades federativas mais seguras.

Fizemos uma revolução na segurança pública sem polícia violenta, respeitando os direitos humanos.

Na saúde, reconheceu que a redução das filas para cirurgias eletivas ainda representa um dos principais desafios do estado, defendendo a ampliação da regionalização do Sistema Único de Saúde (SUS).

Comunicação e redes sociais

Outro tema abordado foi o papel das redes sociais e das big techs no processo eleitoral. Cadu reconheceu que a esquerda disputa espaço em um ambiente que considera desfavorável.

Nas redes sociais a gente joga fora de casa. O juiz e o VAR são deles também”, afirmou.

Apesar disso, defendeu que o campo progressista amplie sua presença digital e fortaleça os veículos de comunicação independentes.

A política hoje se faz nas ruas e nas redes.

Ao final da entrevista, o pré-candidato reforçou sua confiança na reeleição de Lula e na manutenção do projeto petista no Rio Grande do Norte.

Podem ficar tranquilos. O time do Lula aqui está pronto, preparado e querendo levantar essa bandeira. O Rio Grande do Norte seguirá no rumo certo.

 

Prefeitura altera texto sobre engorda de Ponta Negra no PPA de Natal

24 de junho de 2026
4min
Prefeitura altera texto sobre engorda de Ponta Negra no PPA de Natal
Trecho deixou de falar em execução da segunda etapa da engorda e drenagem para citar requalificação do calçadão; Câmara aprovou mudança - Foto: Francisco de Assis
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A Câmara Municipal de Natal aprovou nesta terça-feira (23) a primeira revisão do Plano Plurianual (PPA) Participativo para o quadriênio 2026-2029. A matéria, de autoria do Poder Executivo, trouxe uma mudança na única citação à Ponta Negra: antes, o texto falava em “executar a segunda etapa da engorda e drenagem da praia”. Agora, cita “requalificar o calçadão”.

No próprio documento, a Prefeitura afirma que a mudança aconteceu para adequar o planejamento governamental às novas demandas estratégicas da administração municipal. Segundo o Executivo, foi feito um remanejamento parcial de recursos para viabilizar a inclusão das Ações 1471, relativa à execução de obras de drenagem e pavimentação, e da Ação 2473 (recuperação de vias públicas).

“A medida busca fortalecer a capacidade de execução das políticas públicas voltadas à infraestrutura urbana, promovendo maior alinhamento entre planejamento, programação orçamentária e prioridades institucionais do Município. Ressalta-se que os recursos remanejados não comprometem a execução das metas originalmente previstas na ação de origem, considerando a suficiência financeira identificada para continuidade das atividades programadas, bem como a existência de outras fontes de financiamento capazes de assegurar a manutenção e ampliação das ações inicialmente planejadas”, justifica a Prefeitura no documento.

Saiba Mais: Risco de desastre em Ponta Negra pode voltar antes de 7 anos, diz TCU

Ainda segundo o Executivo, a alteração da nomenclatura na meta relativa a Ponta Negra acontece em razão da atualização das diretrizes de planejamento urbano adotadas pelo município, que passaram a contemplar nova concepção para a intervenção prevista, envolvendo a requalificação integral do calçadão da praia mediante desenvolvimento de projeto específico a ser elaborado por concurso público. 

“A alteração possui caráter exclusivamente técnico e conceitual, visando assegurar maior compatibilidade entre o instrumento de planejamento e as futuras ações a serem executadas pela Administração Pública, sem prejuízo à finalidade originalmente estabelecida”, continuou a Prefeitura.

A alteração motivou críticas do vereador Daniel Valença (PT), que citou as recentes notícias na imprensa sobre os riscos à saúde nas áreas alagadas de Ponta Negra. O mais recente boletim de balneabilidade divulgado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) aponta que as áreas alagadas apresentam níveis elevados de contaminação por coliformes termotolerantes e podem representar riscos à saúde da população. 

Saiba Mais: Áreas alagadas da engorda de Ponta Negra oferecem risco à saúde, aponta boletim

Na sessão plenária da Câmara, foram protocoladas 83 emendas ao PPA. Destas, 35 foram aprovadas de forma consensual, 21 foram retiradas pelos autores e 27 acabaram rejeitadas em plenário.

Uma das emendas propostas, do vereador governista Matheus Faustino (União), previa realizar intervenções programadas a cada período de 12 a 18 meses na obra da engorda, assegurando a preservação do investimento público e a balneabilidade da praia. A emenda, contudo, também foi rejeitada. 

“Já existe essa emenda dentro do PPA, mas é uma emenda que não estabelece um prazo. Então, a gente colocou o estabelecimento de um prazo para a gente ter uma previsão e conseguir fiscalizar. Mas ainda que não seja consenso, ainda que a gente não consiga aprovar aqui, vamos ainda com essa emenda que já tá presente no PPA, cobrar para que essas manutenções venham a ocorrer na engorda de Ponta Negra”, disse na sessão plenária.

O Plano Plurianual é o principal instrumento de planejamento governamental de médio prazo e estabelece as diretrizes, objetivos e metas da administração pública para os próximos quatro anos.