sexta-feira, 24 de abril de 2026

 

Tem uma palavrinha feia que diz muito sobre o Brasil: “diferenciado”

Os mais novos podem achar estranho, mas ninguém usava a palavra “diferenciado”, a não ser nas provas de biologia, no século 20. Diferenciado se referia então a tecidos ou órgãos com funções específicas - sem juízo de bem ou mal, como a natureza. 


A conotação positiva em termos sociais que a palavra ganhou na fala de hoje é mais próxima do antigo “distinto”, como o apresentador do circo se dirigia ao público geral, adjetivo talvez sóbrio demais para o desejo espalhafatoso de status que se amplifica nas redes sociais.


Essa palavrinha esquisita e tão reveladora da nossa sociedade adoradora de privilégios ainda causava polêmica, quando a expressão começou a se popularizar. O blog (!) Sobre Palavras, do escritor Sérgio Rodrigues, na revista Veja, trata do assunto em 2010, em resposta a um leitor, que reclamava do uso do termo “diferenciado” em lugar de “diferente” nos textos da revista. 


Rodrigues, igualmente incomodado com a recriação publicitária do sentido da palavra, esclareceu: “Diferenciado não quer dizer o mesmo que diferente. Enquanto diferente é um adjetivo mais carregado de conotações entre o neutro e o negativo, diferenciado é puro elogio e exaltação.” E continuou: “Diferenciar diferente e diferenciado tornou-se uma habilidade social básica, que a maioria de nós exerce de forma intuitiva, sem pensar. Se formos pensar, porém, vamos descobrir que a diferença entre diferente e diferenciado pressupõe valores que boa parte de nós teria vergonha de assumir”.


Mais de 15 anos depois, com plásticas, carrões e joias se desenrolando no scroll, não sei se alguém ainda tem escrúpulos de se colocar acima da massa dos mortais. Mas, naquele momento, ainda havia estranhamento, tanto é que a palavra acabou fazendo barulho também na vida real, dando margem a um inesquecível churrasco público em São Paulo, na esquina da Avenida Angélica com a rua Sergipe em maio de 2011.


Era ali que seria construída uma estação de metrô da linha amarela, provocando a indignação dos tradicionais ocupantes do bairro branco e rico. Uma moradora, entrevistada pela Folha, disparou: "Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”, disse, invertendo o sentido recém-inventado da palavra. O essencial, porém, se manteve: o importante era “se diferenciar”.


Em um país que ainda sonhava com a igualdade, a declaração fez estrago. Contra o elitismo de madame, o povo se encarregou de concretizar o pesadelo dos que sofriam com a possibilidade de cruzar com “o porteiro do prédio em Nova York”, para usar a frase igualmente infeliz e inesquecível de Danuza Leão, angustiada com o aumento de renda dos trabalhadores e com a paridade do dólar e real nos anos 2000. 


Naquela esquina “charmosa”, na linguagem dos jornais da época, de Higienópolis, foram instalados varais de roupa e churrasqueiras portáteis, com linguiças e corações de galinha na brasa profanando a atmosfera do Olimpo ao som de pandeiros e buzinas. “Quem é diferenciado, faz barulho”, gritava a multidão com ironia. 


O “churrascão da gente diferenciada”, como foi batizado o protesto pelos manifestantes, fez história em São Paulo, mas, como quase sempre, os ricos venceram. A estação do metrô foi transferida para uma esquina mais central e plebéia, perto do cemitério da Consolação, onde foi inaugurada em 2018. E a tal palavra, elogiosa como queriam os publicitários, se consolidou - agora no sentido desejado. 


São “diferenciados” os imóveis de luxo, os tênis de marca, os vestidos de grife, as festas de Vorcaro, os salários dos juízes, os jatinhos de empresários, a semana de três dias de trabalho do Congresso, que agora hesita entre votos e lucros para aprovar a jornada 6x1.

“ Sim, alguém tem que carregar o país enquanto a “gente diferenciada” se diverte e acumula riqueza, ou mais-valia como dizia o velho Marx. O mais triste, porém, é que a desigualdade que nos envergonha há tanto tempo, como país rico de maioria pobre, parece cada vez mais desejável para fatias cada vez maiores da população.

Os ricos não mudaram - continuam com o mesmo asco de compartilhar o país com pretos e pobres, como revela a coluna de Fabiana Moraes no Intercept ao comentar a rejeição das universidades públicas pelos endinheirados. Com a política de cotas e a criação de universidades fora do Sul e Sudeste, os estudantes de baixa renda já representam a maioria nas universidades federais e os que vieram de escolas públicas são mais de 70% dos universitários do país. Já não se fazem diplomas exclusivos como antigamente. 


O que me choca, porém, é o dado capturado pelas pesquisas qualitativas da Quaest. De acordo com o cientista político Felipe Nunes, diretor da empresa, o que os eleitores estão querendo hoje não são políticas sociais que melhorem a renda, o que consideram como direito (e isso é bom); mas a busca é por status. E essa busca é necessariamente individual. Afinal, como ser “diferenciado” sem ter de quem se “diferenciar”?


Eleger o status como valor em um país em que o 1% mais rico detém 37% da riqueza nacional enquanto quase 30% das famílias vivem com menos de 35 reais por pessoa/mês é nos condenar à desigualdade eterna, trocando a luta por políticas públicas consistentes por metas solitárias e ilusórias. Essa é a outra face do sonho por status, movido por trabalho precário, endividamento, bets, e crença em políticos e religiosos fantasiados de coaches.

segunda-feira, 30 de março de 2026

REPASSE DE CARLOS VIANA A IGREJA LAGOINHHA

FORAM DE 3,6 MILHÕES DO SENADOR  CARLOS VIANA A FUNDAÇÃO OÁSIS, QUE PERTENCE A IGREJA LAGOINHA. 

DOAÇÕES DE CARLOS VIANA- PRESIDENTE DA CPMI DO INSS PARA IGREJA LAGOINHA

 MINISTRO FLÁVIO DINO DO STF PEDIU EXPLICAÇÕES AO SENADOR CARLOS VIANA- PRESIDENTE DA CPMI DO INSS SOBRE EMENDAS DA SUA AUTORIA  PARA  A IGREJA ALAGOINHA EM MINAS GERAIS DO QUAL ELE É MEMBRO, SEGUNDO O MINISTRO AS EXPLICAÇÕES DO SENADOR ESTÃO DEIXANDO A DESEJAR, DANDO UM PRAZO DE 10 DIAS PARA O MESMO FUNDAMENTAR MELHOR A S SUAS EXPLICAÇÕES, FORAM REPASSADOS MAIS DE UM MILHÃO E MEIO PARA A IGREJA DE DO PASTOR ZETTEL, ENVOLVIDO NO ESCÂNDALO DO BANCO MASTER DE VORCARO.

É SENADOR, NÃO BASTA DIZER QUE É UM HOMEM HONESTO, TEM QUE PROVAR, COMO FEZ SEU COMPANHEIRO RELATOR DA MESMA CPMI QUE ARROTA QUE É UM HOMEM HONRADO É ESTÁ METIDO COM ESTUPRO DE MENORES.

domingo, 29 de março de 2026

 

Plantas medicinais: hortelã é a mais usada por mulheres da zona rural do RN

27 de março de 2026
3min
Plantas medicinais: hortelã é a mais usada por mulheres da zona rural do RN
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Hortelã, capim-santo e erva-cidreira aparecem no centro de uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) sobre o uso de plantas medicinais por mulheres da zona rural de Caraúbas. O estudo mostra que essas espécies seguem presentes no cotidiano das comunidades, sobretudo como recurso para aliviar dores de cabeça e ajudar a acalmar, quase sempre em forma de chá.

A investigação foi desenvolvida na Faculdade de Enfermagem da Uern e analisou o conhecimento e o uso de plantas medicinais por mulheres de comunidades tradicionais do município. A pesquisa foi coordenada pela professora doutora Líbne Lidianne da Rocha e Nóbrega, pesquisadora do GP Forte, com a colaboração da estudante de enfermagem Salisa Duarte Medeiros.

Entre todas as plantas mencionadas pelas entrevistadas, o hortelã desponta com folga: foi citado por 92,7% das mulheres ouvidas. Em seguida aparece o capim-santo, lembrado por 84,5%, e depois a erva-cidreira, mencionada por 41,2%. O levantamento indica que as folhas são a parte mais utilizada dessas plantas, inteiras ou trituradas, o que aponta para um uso doméstico simples, incorporado à rotina de cuidado.

As três espécies mais recorrentes também concentram as finalidades mais citadas no estudo. Segundo as participantes, hortelã, capim-santo e erva-cidreira são usados principalmente para “aliviar dores de cabeça” e “acalmar”. O chá foi apontado como a forma de consumo mais comum entre as mulheres entrevistadas.

Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados a mulheres com mais de 20 anos na Unidade Básica de Saúde Joel Ferreira Ramos, escolhida por sorteio. Localizada no Assentamento 1º de Maio, na zona rural de Caraúbas, a unidade atende moradores dos sítios KM 101, Canto do Feijão, Baixa do Feijão, Inharé, Baixa do Correio, Recanto e do Assentamento Nova Morada.

De acordo com Líbne Nóbrega, os resultados têm forte relação com a cultura popular, a tradição familiar e a busca por formas naturais e acessíveis de cuidado. Na avaliação da pesquisadora, o estudo chama atenção para a importância de valorizar os saberes tradicionais, já que muitas plantas seguem sendo usadas como alternativas terapêuticas complementares ao tratamento de doenças.

Essa prática, antiga e repassada entre gerações, também encontra reconhecimento institucional. O Sistema Único de Saúde (SUS) validou uma lista com mais de 70 espécies com eficácia comprovada, dentro de uma proposta de ampliar o acesso seguro da população a plantas medicinais e fitoterápicos, além de estimular o uso racional desses recursos.

⇒ Conheça mais sobre as pesquisas na Uern na Plataforma Uern Ciência – Clique Aqui. 

 

Rogério Marinho é voto vencido em derrota na CPMI do INSS

28 de março de 2026
4min
Rogério Marinho é voto vencido em derrota na CPMI do INSS
Parecer foi derrotado por 19 votos a 12, em vitória da base do governo - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
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A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS rejeitou na madrugada deste sábado (28) o parecer proposto pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), por 19 votos a 12, em vitória da base do governo. Um dos votos contrários foi o do senador potiguar Rogério Marinho (PL), que viu sua posição ser derrotada. 

 rejeição do relatório contou com votos de parlamentares da base governista, especialmente do PT. Já os favoráveis ao texto vieram principalmente do PL. 

A participação de Rogério Marinho na comissão chegou a ser questionada pela base do governo, no início dos trabalhos, em 2025, em razão da ligação do senador do Rio Grande do Norte com a gestão Bolsonaro. Marinho foi secretário especial de Previdência e Trabalho, num flagrante conflito de interesses, na avaliação de deputados governistas. A exclusão dele foi rejeitada pelo presidente da CPMI.

O relatório de Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas, incluindo ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, ex-ministros, parlamentares e representantes de entidades associativas. Um desses nomes foi o do potiguar Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). Lincoln chegou a ser preso em 3 de novembro acusado de cometer falso testemunho ao final do seu depoimento na Comissão, mas foi solto após pagar fiança. 

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Com mais de 4 mil páginas, o relatório de Alfredo Gaspar concluiu haver núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político na movimentação de bilhões de reais por meio de descontos não autorizados de aposentadorias e pensões. 

Um dos nomes mais polêmicos na lista de indiciamento — rejeitada — foi o de Fábio Luiz Lula da Silva, por suposto envolvimento com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, principal responsável pelas irregularidades apuradas.

Os pedidos de indiciamento também incluíram o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira e Carlos Lupi; além do senador Weverton Rocha, (PDT-MA), e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE).

Bolsonaro na mira

Já o líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou relatório paralelo com pedido de 201 indiciamentos, sendo 130 de forma imediata e outras 71 para aprofundamento das investigações, incluindo o ex-presidente da República. Segundo o PT, sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), uma estrutura criminosa foi montada dentro do Estado para desviar recursos de idosos e pensionistas.

De acordo com o documento, Bolsonaro seria o “cérebro” do esquema que levou ao desvio de verba de aposentados e pensionistas, com descontos automáticos nos benefícios, para financiar campanhas do ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni (Progressistas) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) explicou que Bolsonaro não apenas foi omisso, mas também agiu deliberadamente para facilitar o roubo através de decretos e medidas provisórias que assinou. 

Parlamentares petistas se manifestam – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

“É por isso que nós estamos propondo o indiciamento do senhor Jair Messias Bolsonaro. Vamos propor por improbidade administrativa e também por furto qualificado de idosos.  Jair Messias Bolsonaro é o chefe do esquema criminoso que roubou bilhões de reais dos aposentados e aposentadas“, afirmou, durante entrevista coletiva a jornalistas.

Pimenta argumentou que não seria possível um esquema de tamanha complexidade e alcance funcionar sem que o governo Bolsonaro tivesse conhecimento, sobretudo porque servidores que atuaram nas fraudes foram estrategicamente colocados em postos de comando.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-CE) reforçou a tese de que a cúpula do governo anterior tinha pleno conhecimento das irregularidades. Ele ressaltou que “toda a estrutura criminosa montada no âmbito do INSS teve inauguração se consolidou durante o governo Bolsonaro”, contando com o aval inclusive do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes.

LANÇAMENTO DE CANDIDATURA

CIRCULA NAS REDES SOCIAIS A CANDIDATURA DA EX-PREFEITA DE JANDAIRA, MARINA MARINHO AO CARGO DE VICE-GOVERNADORA NA CHAPA DE CADU, PELO PARTIDO DOS TRABALHADORES, NÃO DEIXA DE SER INTERESSANTE, UMA FIGURA QUE DESPONTOU COM DUAS EXCELENTES GESTÃO A FRENTE DA PREFEITURA DE JANDAIRA E QUE TERIÁMOS UMA REPRESENTANTE DA REGIÃO DO MATO GRANDE NO GOVERNO.

VAMOS ESPERAR O DESENROLAR DOS ACONTECIMENTOS.