quinta-feira, 12 de maio de 2016

Autora de pedido de impeachment divide opiniões como professora

Fabio Braga/Folhapress
Os juristas Janaina Paschoal (à frente) e Helio Bicudo (à dir.) em ato na faculdade de Direito da USP
Os juristas Janaina Paschoal (à frente) e Helio Bicudo (à dir.) em ato na faculdade de Direito da USP
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"Minha cabeça tá fraca hoje –gastei", ri a professora Janaína Paschoal, durante a aula de Direito e Religião, disciplina que ministra na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com aulas às sextas-feiras.
Na véspera, 28 de abril, a advogada havia "gastado" a cabeça no Senado, na defesa da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
Antes mesmo de ganhar notoriedade como uma das pessoas que assinou aação contra Dilma (ao lado dos juristas Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo), Paschoal já era figura polêmica no Largo São Francisco.

Professora do Departamento de Direito Penal, ela faz parte, segundo frequentadores da faculdade ouvidos pela Folha, de uma linha minoritária, mais liberal.
Entre os alunos, divide opiniões. "Antes [do pedido de impeachment], ela era vista como uma professora mais ou menos séria", afirma o estudante Gabriel Fazzio, 24. "Depois, todo mundo começou a tirar uma onda com ela."
Não é a opinião de Bernardo Fico, 21. Para ele, a advogada é "uma das professoras mais dedicadas".
"Ontem ela estava em Brasília e hoje está aqui, dando aula, desde as 13h", diz.
Mesmo contrário ao processo de impeachment de Dilma e a certas posições expressadas pela docente em sala de aula, ele diz julgá-la uma boa professora.
BLINDADA
A advogada ficou conhecida por fazer discursos inflamados quando defende o processo de afastamento da presidente –o mais famoso, proferido em 5 de abril na própria faculdade, virou meme.
A fala ficou marcada pelo momento em que a advogada gira uma bandeira nacional sobre a cabeça, gritando que "o Brasil não é a república da cobra", referência a discurso em que o ex-presidente Lula se identificou como jararaca.
As críticas e os memes acabaram gerando, no entanto, uma reação dentro das correntes de esquerda da faculdade, contrárias ao impeachment da presidente –que consideraram machistas as alegações contra a advogada.
"Nenhum professor homem que fala de forma eloquente na sala de aula é tachado de louco", afirma Fico.
"Não gostei do discurso [de Paschoal], mas foi uma coisa de situação, não representa o que é a Janaína", afirma outro aluno, Rodrigo Pires, 33, que diz não ter opinião sobre o afastamento de Dilma.
E, na aula, Paschoal é mais comedida. Gesticula bastante, mas não eleva o tom de voz, e arranca risadas da sala não muito cheia.
Para a estudante Ana Lidia Cavalli, membro do Levante Popular da Juventude, "a Janaína não é nossa aliada, não é aliada das mulheres, é contra o aborto, contra um monte de pautas feministas, mas é muito ruim dizer que ela é louca, que está possuída".
A advogada se disse, em aula, contrária à lei do feminicídio: "Me parece que é dizer que a vida da mulher vale mais que a do homem".
Segundo Cavalli, no entanto, é "preocupante que a gente possa blindá-la, não fazer críticas só porque ela é mulher". "A fala dela é inflamada de propósito, para desvirtuar o discurso dela, que é bem vazio", afirma. 


Opinião

Decisão de Maranhão é juridicamente inexistente

Houve preclusão na Casa, não se trata de um ato anulável
por Wálter Maierovitch publicado 09/05/2016 15h53, última modificação 09/05/2016 15h59

Geraldo Magela/Agência Senado
Waldir Maranhão
O ato de Maranhão foi unilateral, sem competência para decidir
Na segunda-feira 9, o Brasil relembrou a "commedia dell´arte", do Arlequim servidor de dois patrões. A decisão de Waldir Maranhão, substituto do Eduardo Cunha na presidência da Câmara, é juridicamente inexistente. Ocorreu preclusão na Casa. Não se trata de um ato anulável.
Como todos sabem, e tem até súmula do Supremo Tribunal Federal, a Administração pode anular os próprios atos viciados. Mas, atenção, o ato de Maranhão foi unilateral, sem competência para decidir. E decidir pela revogação de ato soberano dos deputados.
A grande falha foi de José Eduardo Cardozo, que continua a jogar para a torcida, ou melhor, para a militância. Cardozo deveria recorrer ao STF e não à presidência da Câmara.
A preclusão, no caso, deu-se pelo encerramento de uma fase. No caso, na Câmara. Já se virou a página, sem possibilidade de revisão. E na fase do Senado, o advogado-geral Cardozo compareceu e a ratificou.

Jornalismo

Ficção e Jornal Nacional: tudo a ver

Como o principal telejornal do país constrói a narrativa do impeachment no cotidiano da disputa política nacional. O jogo continuará na gestão Temer.
por Intervozes — publicado 11/05/2016 16h33

Marcelo Camargo / Agência Brasil
Waldir Maranhão
O que explica a ênfase em suas fragilidades e não nas de outros políticos?
Por Eduardo Amorim*
O dia 9 de maio de 2016 certamente merecerá muitos estudos. Do ponto de vista político, nada chamou mais atenção do presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA) ter decidido, no início do dia, anular as sessões que autorizaram o início do rito de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff e anulado sua própria decisão na madrugada do dia seguinte.
Diante do cenário tão nebuloso, parei para tentar entender o que está sendo passado ao grande público sobre esse processo. E, analisando o principal telejornal do País, fiquei com sinceras dúvidas se havia mais noções de jornalismo ou de ficção naquele script.
O primeiro ponto evidenciado naquela segunda-feira do Jornal Nacional foi a tentativa de tirar do deputado federal Waldir Maranhão a sua relevância. A TV Globo cunhou o termo “presidente interino” da Câmara dos Deputados, utilizado diversas vezes nos três blocos do jornal, deixando claro, logo no início, que ele se movimentava “para permanecer na presidência com apoio de governistas”.
Na primeira explicação sobre a decisão monocrática do presidente da Câmara, explicitou as ligações do deputado do PP com aqueles que julga relevantes: afirma que Maranhão voltou de seu estado em um avião com o governador Flavio Dino e se encontrou em Brasília com o ministro da Advocacia Geral da União, José Eduardo Cardozo.
Também chamou atenção o fato de o Jornal Nacional ter ressaltado que o presidente da Casa não abriu espaço para a opinião dos técnicos da Mesa da Câmara. Quem cobriu – como jornalista – o Parlamento brasileiro sabe que as Casas legislativas em Brasília têm realmente corpos profissionais que muitas vezes merecerem elogios.
Mas arrisco afirmar que a TV Globo não questionou este tipo de conduta em momentos como quando, por exemplo, o então presidente Eduardo Cunha mudou o comando da TV Câmara para tentar retirar a autonomia de seus profissionais da TV Câmara.
Quem fala e quem não
Verificar quem e de qual forma é ouvido nas chamadas sonoras do telejornal também é relevante. A presidenta Dilma Roussef deu declarações públicas sobre a decisão de Waldir Maranhão. Para qualquer jornalismo sério, não dar espaço para o seu posicionamento parece impossível. Mas a edição da Globo terminou com a seguinte frase da presidenta: “vivemos uma conjuntura de manhas e artimanhas”, como se Dilma também achasse que o parlamentar não é alguém em quem se possa confiar.
Já o líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino, ganhou espaço ao afirmar que Waldir Maranhão “é subserviente ao terminal governo do PT”. O secretário da Mesa, Beto Mansur (PRB/SP), entrou na narrativa para reforçar que os deputados coletivamente decidiram pelo impeachment, que a Advocacia Geral da União entrou com pedido no dia 25 de abril e que ele foi deixado de lado.
O Jornal Nacional, entretanto, não explicou aos seus telespectadores que o ex-presidente Eduardo Cunha foi o principal responsável por isso.
Já nesse momento, estava claro o “teatro” (com o perdão aos artistas do palco). Enquanto dois deputados têm espaço privilegiado para criticar a decisão de Waldir Maranhão, nenhum dos apoiadores da decisão no Parlamento foi ouvido.
Ivan Valente, líder do PSOL, divulgou a opinião do PSOL minutos depois do líder do DEM. Não apareceu. O também socialista Jean Wyllys também teve seu posicionamento nas redes sociais ignorado. “Vocês precisavam de mais uma prova de que o que está acontecendo é um golpe de Estado? O presidente do Senado, Renan Calheiros, decidiu simplesmente IGNORAR a decisão”, criticou.
À TV Globo, naquele momento, só interessavam os depoimentos que tratavam o “interino” como parlamentar sem expressão.
O JN também teve tempo para falar sobre o filho de Maranhão, que ocupava dois cargos públicos em São Paulo e no Maranhão simultaneamente. E para ouvir mais críticas ao “escárnio institucional” proclamado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM).
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também deu um longo depoimento para explicar sua posição: a de que decisão (agora já anulada) de Waldir Maranhão era extemporânea, e que ele assegurava que nenhuma decisão monocrática poderia se sobressair ao conjunto dos parlamentares. A expressão “brincadeira com a democracia” ganhou o centro das atenções.
Só então, depois de mais de dez minutos de sua imagem escalavrada, o deputado (e “presidente em exercício da Câmara”) Waldir Maranhão teve oportunidade de dizer que não estava “brincando de fazer democracia”.
O elemento Delcídio

A sequência do enredo veio com a explicação de que a continuidade da votação do processo do Senado ainda dependia da prévia votação da cassação do senador Delcidio do Amaral, cujo histórico retratado deu conta apenas de seu período enquanto líder do governo no Senado – sendo esquecidos todos os seus anos de serviços prestados ao PSDB. Na fala do senador acusado: “eu como líder do governo errei, mas peço desculpas”.
O Jornal Nacional conseguiu ainda, naquele momento cheio de incertezas, prever o futuro para fortalecer a narrativa da legitimidade do impeachment. Informou que, no dia seguinte, haveria a votação em plenário para a cassação de Delcídio e, então, a votação do afastamento de Dilma poderia seguir em frente.
Como que para garantir que o rito não seria modificado, a emissora assegurou ainda que, no mesmo dia, haveria reunião do PP para expulsar o deputado Waldir Maranhão do partido.
O primeiro bloco do telejornal ainda seguiria com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski garantindo que quem decidirá o rito do impeachment será o Senado; mostrando a queda no mercado financeiro no dia 9 (com uma questionável justificativa de que à tarde diminuíram as incertezas e por isso não teriam sido mais graves os efeitos na bolsa e no câmbio); o anúncio do (já certo?) futuro governo Temer sobre o corte de 10 ministérios e a assertiva da repórter Délis Ortiz: “falta ainda definir os nomes dos ministros, mas a sociedade não aceita mais do mesmo”.
Reflexo internacional
Para rebater as críticas ao processo que seguem na imprensa internacional, o JN, uma vez mais, fez um “giro” no noticiário estrangeiro para mostrar como os jornais de fora estão tratando a crise política brasileira.
A repercussão sobre a cobertura de veículos como o The New York Times (EUA), The Guardian (Inglaterra), Le Figaro (França) e El Pais (Espanha) foi reduzida. O vencedor do Pulitzer - maior prêmio do jornalismo mundial -, Glen Greenwald, alertou pelo Twitter o que disse Damian Wroclavsky, correspondente da France Press – matéria não lembranda pelo JN.
“Se Roussef for tirada da Presidência, ela será substituída pelo seu vice-presidente-agora-inimigo, Michel Temer. Temer, um líder de centro-direita, foi acusado de estar envolvido no escândalo da Petrobras, mas não está sendo formalmente investigado. Um tribunal de São Paulo o multou por irregularidades no financiamento de campanha e ele pode ser banido por oito anos dos seus direitos políticos”.
Fica a pergunta: por que tanto esforço para destruir políticos como Waldir Maranhão, que podem estar ligados ao PT, e um quase silenciamento acerca das suspeitas sobre o futuro presidente da República?
A narrativa ficcional certamente irá continuar. E aposto que as Olimpíadas terão papel fundamental para, no já novo governo, ressaltar a união dos brasileiros. Serão tempos de uma certa pujança econômica e de mais silenciamento da crise política.
* Eduardo Amorim é jornalista, mestrando em Comunicação pelo PPGCOM-UFPE e integrante do Intervozes.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Opinião

Branco, abonado e parlamentar

As reviravoltas do enredo político não deixam dúvida: o patriarcado continua na vantagem
por Joanna Burigo publicado 11/05/2016 14h25

Jane de Araújo / Agência Senado
Senadores
O cara do Senado é conhecida
Uma análise recente com dados demográficos dos nossos 81 senadores feita pela BBC Brasil revela que o perfil predominante no Senado é o de um homem branco, com curso superior e longa carreira política, boas chances de ser membro da bancada ruralista ou de pertencer a "clãs" políticos, e investigado pela Justiça.
Não vi pesquisa semelhante ser feita em relação à Câmara, mas estou segura de que os resultados não seriam muito diferentes.
Basta observar nossas casas de representatividade política para perceber que, estejam seus membros sob investigação judicial ou não, sejam eles herdeiros de grandes fortunas ou não, e situem-se eles à esquerda ou à direita, a maioria das posições de poder é ocupada por homens brancos.
O mesmo vale para outras instituições, públicas e privadas, e não limitadas ao contexto brasileiro. A composição dos cargos de direção – de governos, empresas, clubes ou associações – é sempre um retrato do patriarcado.
A presença maciça de homens brancos em postos de decisão não é interpretativa, ela é factual. Não vê quem não quer.
O patriarcado é um conceito usado por feministas para nomear o paradigma que normaliza que as instituições sejam conduzidas por homens. Por isso expomos e criticamos o patriarcado em muitas frentes, afinal seja no âmbito pessoal, no social, no econômico ou no político, ainda são os homens quem mais tem poder para decidir os rumos da sociedade.  
Isso não significa que todos os homens estejam no controle de todas as outras pessoas. Tomar a ideia do patriarcado como monólito que enquadra todos os homens como vilões é tão simplista quanto tomar a ideia do feminismo como monólito que enquadra todas as mulheres como vítimas.
Análises sociais requerem pensamento crítico para que quaisquer avaliações – dos fatos e das relações de poder que determinam como as narrativas acerca dos fatos são construídas – sejam matizadas.
Nenhuma análise social é imparcial, pois nenhuma análise social é feita por robôs que vivem no vácuo. Qualquer exame de qualquer fenômeno social contém referências aos sujeitos neles envolvidos. Por isso é importante considerar as identidades dos sujeitos sob escrutínio nas análises acerca de quaisquer fenômenos.
Chamamos de “política de identidade” os argumentos políticos que incidem sobre os interesses e as perspectivas de grupos sociais organizados por eixos como classe, religião, identidade de gênero, orientação sexual ou etnia, dentre outros.
Um componente essencial de análises sociais envolvendo políticas de identidade é a reflexão acerca das formas como a maioria é governada a partir dos sistemas de valor, credo e comportamento daqueles que preenchem os espaços de poder.
Movimentos sociais são fundamentados na ideia de aumentar a representatividade política, social e institucional das ditas minorias justamente para ampliar a representatividade de sistemas de valor, credo e comportamento que influenciam decisões políticas que afetam a maioria.
Mas a formulação de que movimentos sociais visam aumentar a participação política das “minorias” sempre me pareceu falaciosa, afinal de contas é a maior minoria de todas – aquela composta por homens, brancos, ricos e heterossexuais – que ocupa a maioria das posições de poder.
Em “Invasores de espaço: raça, gênero e corpos fora de lugar” (tradução livre minha), Nirmal Puwar oferece uma investigação detalhada das formas como certos corpos são considerados passíveis ou não de ocupar espaços de poder.
Ela revela como espaços públicos tendem a ser preenchidos por corpos que configuram o que se entende como a “norma”, evidenciando que o padrão universal de humanidade são homens brancos.
Ainda de acordo com Puwar, é socialmente sancionado que espaços públicos sejam reservados a homens brancos, e esta é uma das razões pelas quais outros tipos de corpos acabam ganhando tanta visibilidade ao ousarem preencher espaços que, normativamente, não são destinados a eles.
Para a autora, corpos femininos e/ou não brancos que emergem em espaços de poder são considerados “invasores de espaço” porque suas meras presenças – antes e independentemente de suas propostas – perturbam o status quo.
Este é um dos motivos pelos quais lideranças negras, LGBT ou femininas incomodam a ponto de serem sistematicamente proscritas de espaços de poder. A inclusão de uma pluralidade de identidades em posições de poder chacoalha as fundações do sistema vigente, que considera homens brancos a norma universal de humanidade.
Espaços de poder público são predicados na presunção de objetividade e imparcialidade de quem os ocupa. Isso porque quem os ocupa deveria, ao menos em tese, representar um ser humano universal.
Mas a constatação de que os corpos que ocupam espaços de poder também são marcados por coisas como cor e gênero é inegável.
A capacidade de não ser marcado negativamente pelo corpo que se tem é uma das maiores evidências do privilégio, e no patriarcado heteronormativo branco o privilégio é de homens caucasianos declaradamente heterossexuais.
Homens estes que sempre estiveram no poder, que promovem políticas para permanecerem no poder, e cujas ferramentas de manutenção de poder se espraiam por todas as instituições.
É por conta disso, por exemplo, que feministas se dedicam a apontar a misoginia direcionada às mulheres que estão no poder (ou ao menos perto dele).
Dilma Rousseff e Janaína Paschoal foram – por motivos completamente diferentes, e embora elas estejam em polos politicamente opostos – construídas como loucas por narrativas midiáticas tanto de veículos que se posicionam contra o golpe quanto dos que se posicionam a favor do impeachment.
A suposta loucura da primeira serviu de artifício retórico para desestabilizar sua capacidade de governar. A suposta loucura da segunda serviu de artifício retórico para desestabilizar sua capacidade de fazer oposição. O que Rousseff e Paschoal têm em comum? Pouco além de serem duas mulheres que ousam ocupar espaços políticos.
Já Marcela Temer foi garota propaganda de uma feminilidade louvável, constituída através de valores tradicionais de submissão. Ser bela, recatada e do lar não é necessariamente problemático – e não saberia dizer se estes são atributos que a vice-primeira-dama usaria para descrever a si própria – mas não importa, porque foi a imagem de Marcela Temer – bem como a de Rousseff e de Paschoal – o que foi utilizado como artifício linguístico de demarcação de quais espaços são aceitáveis para as mulheres.
As que estão na política, invasoras de espaço que são, marcamos como loucas. Na cultura patriarcal é esperado das mulheres que miremo-nos no exemplo daquelas outras, de Atenas, que como cantou Chico, não têm gosto ou vontade, defeito nem qualidade – têm medo, apenas.
Mas já há muito não tememos, e seguiremos nos articulando para que quem detenha poder institucional para definir nosso futuro não siga sendo somente o homem #branco, #abonado e #parlamentar.
O patriarcado sempre esteve na vantagem, por isso a luta feminista nunca parou – e por isso ela seguirá avante. 

Opinião

O impeachment e a onda de autoritarismo

Diante da falência moral e ética de nossas instituições, direitos estão cada vez mais ameaçados
por Djamila Ribeiro publicado 11/05/2016 15h05, última modificação 11/05/2016 15h34

Reprodução / Facebook
Ricardo Nezinho
Ricardo Nezinho: a lei promovida por ele planeja uma escola "sem ideologia"
Estamos prestes a assistir uma presidenta eleita democraticamente ser afastada de forma ilegítima por um processo de impeachment sem base legal que colocará no lugar um vice, Michel Temer, condenado pela justiça eleitoral.
Assistimos a atos inconstitucionais por aqueles que deveriam aplicar a lei, uma cobertura midiática enviesada, um Congresso que transformou a votação de um processo já ilegítimo num show de horror e falta de respeito à população.
Deputados comprovadamente envolvidos em casos de corrupção descaradamente dizendo lutar por um país mais justo, um STF cúmplice da ilegalidade deflagrando a falência moral e ética de nossas instituições. Estão previstas privatizações e diminuição dos direitos trabalhistas.
Em meio a tudo isso, reuniões estão sendo invadidas, pessoas impedidas de se manifestar politicamente. Em Alagoas, a lei “Escola Livre”, de autoria do deputado Ricardo Nezinho, que prevê mudanças na postura dos professores da rede pública estadual, foi aprovada.
Eles serão impedidos de dar opinião, mantendo "neutralidade" política, ideológica e religiosa na sala de aula. O governador Renan Filho (PMDB) chegou a rejeitar o projeto, mas a Assembleia Legislativa derrubou o veto na semana passada.
Segundo Lilia Ferreira, estudante da Universidade Estadual de Alagoas e feminista, o deputado Ricardo Nezinho (PMDB) justifica a criação do projeto de lei alegando haver doutrinação ideológica por parte dos professores e livros didáticos, em suas palavras, “para fazer com que eles adotem padrões de julgamento e de conduta moral – especialmente moral sexual – incompatíveis com os que lhes são ensinados por seus pais ou responsáveis.”
Antes de avançar a discussão é pertinente questionar: Há neutralidade na educação? Existe pensamento neutro? Faço essas indagações, pois a proposta do deputado é para que haja neutralidade no âmbito escolar. E para responder essas questões de forma simples, pois, não pretendo me alongar muito, utilizarei palavras de Menalton Braff:
“Se alguém assiste a um marmanjão massacrando uma criancinha e se diz neutro, é difícil entender que ele está beneficiando o marmanjão? Usando a terminologia hegeliana, se não interfiro em um processo qualquer e me mantenho neutro (posição admitida como hipótese), estou reforçando a tese em luta contra a antítese. E não existe movimento que não seja em luta.”
No dia 30 de abril, mulheres que se reuniam na Faculdade Paulista de Serviço Social para fazer uma discussão sobre aborto foram interrompidas pela Guarda Civil Metropolitana. Segundo uma das mulheres presentes, Samia Bonfim, o motivo era intimidá-las.
Em sua página no Facebook, disse: “Vim participar de um cine-debate sobre legalização do aborto aqui na Fapss. A sala está cheia, muita gente interessada. Mas, para minha surpresa, a Guarda Civil entrou na sala porque a atividade fora denunciada. Vieram averiguar se não estamos fora da lei e disseram que vão faz fazer relatório de tudo. Pegaram os nomes das organizadoras e palestrantes. É indignante esta criminalização do movimento de mulheres. Querem que a gente tenha medo e que se sinta criminosa em falar sobre nosso próprio corpo e nossos direitos”.
Na terça-feira 10 de maio, a delegação de mulheres da Bahia que seguiria para a IV Conferência Nacional de Políticas para Mulheres ficou presa em um voo da TAM, em Brasília. A causa teria sido um protesto, com vaias contra a deputada federal Eronildes Vasconcelos Carvalho (PRB-BA), a Tia Eron, que votou a favor do impeachment.
Segundo as feministas, Tia Eron e Jutahy Magalhães, filiado ao PSDB, chamaram a Polícia Federal, que impediu a saída das mulheres. A TAM retirou as acusações, mas as informações de todas foram registradas pela Polícia Federal.
Na terça-feira 10, a professora de Direito da UFMG Maria do Rosário Barbato foi intimada pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre suposta militância política na universidade e em sindicatos e partidos.
Tudo isso já aliado aos golpes cotidianos sofridos pela população negra. Também na quinta-feira 11, Rafael Braga, único preso no contexto das manifestações de 2013, será julgado novamente por um crime que não cometeu; foi detido por portar uma garrafa de pinho sol e água sanitária. E, claro, por ser um jovem negro.
A realidade de Rafael é a de milhares de jovens nesse País, que possui uma política de encarceramento em massa da população negra e de extermínio. Se com todas as falhas dessa nossa jovem democracia, a situação da população negra já sangrava, sem ela o derramamento será maior. Da mesma forma, é obscura a realidade dos povos indígenas e dos direitos das mulheres.
Sofremos mais um golpe de homens brancos misóginos que marcará nossa carne negra e com uma avalanche de retrocessos. Tristes trópicos.

terça-feira, 10 de maio de 2016

NECESSIDADE DE ESTUDOS

FICO ANDANDO PELO SEMIÁRIDO E VEJO A QUANTIDADE DE MAMONA NASCENDO NATURALMENTE SEM PLANTIO E AÍ ME VEM A PERGUNTA. POR QUÊ ATÉ HOJE NÃO TIVEMOS UMA PESQUISA SÉRIA E DEFINITIVA SOBRE O SEU APROVEITAMENTO PARA RAÇÃO ANIMAL, VEJO ALGUMAS PESSOAS EM PERÍODO CRITICO ARRISCANDO A DAR AS FOLHAS PARA OVELHAS E BOVINOS,MAS, AO RISCO, SEM NENHUMA SEGURANÇA. NECESSÁRIO UM ESTUDO MAIS PROFUNDO COM PESQUISA SOBRE OS PRINCIPIOS ATIVOS DA MAMONA , SEJAM NAS FOLHAS COMO NO FRUTO COM RECIININA E RECINA

MÉRITO

NÃO ENTENDO POR QUÊ ATÉ O MOMENTO O GOVERNO NÃO COM UM PEDIDO NO STF PARA ANALISAR O MÉRITO DO IMMPECHMENT, SERIA A ULTIMA CARTADA PARA O FINAL DO FINAL? SE NÃO HOUVE IMPROBIDADE, LOGO FICA A DÚVIDA NO AR, ESTAVA LENDO NA CARTACAPITAL, QUE UMA PESSOA FAZIA ESTA MESMA PERGUNTA PARA JOSÉ EDUARDO CARDOZO, AO INVÉS DE FICAR JOGANDO PRA A PLATÉIA.