Nesta quarta-feira, uma das missões do canal "Exército do Lula", comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), pediu aos seus seguidores para pesquisarem a frase “FLÁVIO BOLSONARO ESQUEMA PANDEMIA”. O primeiro resultado a aparecer foi uma investigação da Agência Pública.
No último domingo, durante o debate na TV Bandeirantes, Lula (PT) questionou Flávio Bolsonaro (PL) sobre o caso.“Eu queria fazer a pergunta: se ele [Flávio Bolsonaro] tem noção da destruição que ele fez nos seis hospitais federais do Rio de Janeiro, que nós agora estamos recuperando”.
O presidente acusou o concorrente de mandar nos hospitais federais do Rio durante o governo do pai, Jair Bolsonaro. Lula falou de UTIs fechadas, de unidades sucateadas e de um “pedágio” cobrado de funcionários para estacionar no que Flávio respondeu que Lula estava “vomitando um monte de mentiras”.
Mas não é mentira. É jornalismo investigativo rigoroso, independente e fundamentado em fatos.
Em 1º de outubro, revelamos que Flávio Bolsonaro exerceu forte influência política nos hospitais federais do Rio de Janeiro entre 2019 e 2022. Nossa equipe ouviu gestores e ex-gestores hospitalares, parlamentares, funcionários dos órgãos de controle da União e servidores públicos.
Um dos entrevistados é o deputado federal e pastor evangélico de direita Otoni de Paula (PSD-RJ), que apontou o senador Flávio Bolsonaro como líder de um esquema de corrupção nestes hospitais, afirmando que toda a estrutura de poder, indicações políticas e controle de licitações ficava sob o comando do parlamentar.
Na mesma linha, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o "01" como o "poderoso chefão" da rede federal de saúde durante a gestão anterior, por determinar diretores, negociar contratos, operar rachadinhas políticas e contratar funcionários fantasmas.
Com orçamento superior a 3 bilhões de reais para os quatro anos, período em que o país enfrentou a pandemia de Covid, documentos e depoimentos obtidos pela Pública revelam que a precariedade no funcionamento dos seis hospitais federais do Rio convivia com contratos superfaturados e concentração de recursos em custeio de despesas, comandadas pelos administradores locais, que seriam indicados pelo grupo político de Flávio Bolsonaro.
Revelações dessa dimensão só vêm à tona porque a Pública não responde a governos, partidos ou conglomerados econômicos. Nosso jornalismo independente tem a liberdade editorial necessária para fazer perguntas inconvenientes e publicar verdades desagradaveis.
Para combater a desinformação e garantir que escândalos como esse não sejam varridos para debaixo do tapete, precisamos agir agora.
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