O adjetivo está na boca de colunistas, analistas, comentadores, dentro e fora do Brasil e não é difícil entender por quê. Diante de décadas de pretextos dos Estados Unidos, como “democracia e direitos humanos”, para derrubar governos e invadir nações,Trump sem dúvida inovou ao dizer que invadiu a Venezuela por causa do petróleo. Mas a novidade não é tão promissora ou positiva quanto o “transparente” faz transparecer - com o perdão do trocadilho.
Transparência, para um governante, seria, por exemplo, divulgar os dados das embarcações bombardeadas no Caribe pelos Estados Unidos, em que condições as pessoas foram mortas e as informações que as ligam ao alegado narcotráfico.
Ou submeter ao Congresso as razões que justificariam o ataque a uma nação soberana sem esquivar-se do escrutínio de suas decisões - e da necessária autorização dos senadores de seu país - alegando “narcoterrorismo”, termo tão pesado quanto vago.
Também seria divulgar desde o início que o objetivo dos Estados Unidos na Venezuela era o petróleo, em vez de inventar a ligação de Nicolás Maduro com cartéis inexistentes. Aliás, a mentira - um substantivo que não combina com o adjetivo “transparente” - é quase uma característica do governo Trump. Ou, para ficar em um exemplo, alguém tem informações confiáveis sobre um “genocídio branco” que estaria ocorrendo na África do Sul?
A franqueza de Trump revela seu desprezo absoluto, não apenas pela legislação e tratados internacionais, mas por todos os países que não querem a guerra ou não têm condições de enfrentar a maior potência militar do mundo.
É uma afirmação de poder imperial para assustar, humilhar e submeter a América Latina ao mesmo tempo que justifica o ataque para seu eleitorado: afinal, essa é uma guerra para ganhar dinheiro, não para perder soldados.
Declarar que a questão para os Estados Unidos é o petróleo também é um tapa na cara dos venezuelanos, incluindo os opositores de Maduro, não apenas pelo desdém com que Trump se referiu a Maria Corina Machado em coletiva transmitida no mundo todo, mas também por deixar evidente que temas como democracia, presos políticos, liberdade de imprensa não tem importância alguma - a vida deles, os que vivem no quintal, não interessa.
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